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Nova Acrópole como Exemplo de Filosofia Natural e Ativa

No Dia Mundial da Filosofia, todos os Centros ou Escolas da Nova Acrópole, internacionalmente, mais de 300, celebram o poder transformador “deste princípio luminoso da razão que recebemos do Céu”. Chamamos a isto Filosofia Natural, porque em vez de se perder de forma estéril nos labirintos da mente, quer ler e lê na natureza infinita que nos rodeia, nos acontecimentos e no seu significado (a que chamamos história), e nos mesmos véus da alma humana, no seu mistério sempre vivo.

O Coração de Jade da Antiga Hattusa

Viajar para o coração do Império Hitita, para a cidade de Hattusa é uma experiência formidável. Encravada no centro da Anatólia, entre montanhas e penhascos que surgem do altiplano, centenas de templos (dos quais quase não há vestígios) e residências oficiais se estendem por uma área de mais de 2 quilómetros quadrados. Na época hitita, e já na sua decadência, foi devastada por um incêndio, por volta do ano 1.178 a.C. e sobre as suas ruínas se ergueu uma nova luvita ou cidade neo-hitita.

O Sufismo, Algo Mais que Uma Religião

Toda a religião tem dois aspetos que a complementam, um exotérico e outro esotérico, porque existem crentes que não se contentam com o cumprimento dos rituais e normas de conduta, nem uma conceção intelectual da divindade, mas sim com uma experiência profunda que os leva à união com Deus. São aqueles que buscam, dentro da tradição, um caminho ascético ou místico, uma senda espiritual (tasawwuf), aqueles que caminham para o conhecimento esotérico à margem da corrente religiosa mais ortodoxa.

Divindades Egípcias: Mut, a Deusa do Mistério

Na tríade tebana reconhecemos o aspeto feminino Mut, a mãe dos deuses e do mundo, relacionada também com a deusa Sekhmet, a deusa leoa combativa e curativa, que representa os dois aspetos fundamentais da feminilidade de Mut. Essa Deusa surge das Águas Primordiais e traz à vida os mistérios da dimensão visível, que juntamente com Amón garantiam a manutenção da ordem cósmica e a sua projeção na Terra. A partir da décima oitava dinastia do Império Novo adquire importância o seu culto, substituindo em Tebas a deusa Amonet como esposa de Amón. Amonet, a deusa do Mistério, refere-se ao oculto, como deusa protetora e primordial, personifica o vento norte, que traz vida. Ela era representada como uma serpente, ou mulher com a cabeça de uma serpente, com a coroa vermelha do Baixo Egito em Tebas e sob a aparência de uma mulher com a cabeça de rã em Hermópolis, que juntamente com Amón e os outros três casais criadores geram todo o manifestado.

Constituição Septenária, Árvore da Vida, Modelo Padrão e a Constante Alfa

De acordo com a filosofia Vedantina, os Ah-ih ou Brahman, ou ainda a Mente Cósmica segundo Blavatsky, constituem os antecedentes filosóficos correspondentes a esta existência, e que H. P. Blavatsky assim descreve:
“A Mente Cósmica é algo bastante diferente da Ideação Cósmica. A manifestação da Mente faz-se só durante o Período Manvantárico de actividade. Porém, a Ideação Cósmica não conhece nenhuma mudança. Foi, e sempre foi, é e será. Nunca deixou de existir, e só não existia para a nossa percepção por não haver mentes para a aperceber. A Mente Universal não existia porque não havia ninguém para a aperceber. Uma é latente e a outra é activa. Um é uma potencialidade.” – (H.P.Blavatsky, cfr. in “Os Manuscritos Perdidos da Loja Blavatsky”).

Uma Aproximação à Realidade, de Nilakantha Sri Ram

Numa ocasião, Jinarajadasa, sendo Diretor Internacional da Sociedade Teosófica, comentou sobre Sri Ram (1889-1973), que mais tarde seria o seu sucessor no cargo, que era uma personagem, uma alma semelhante àqueles que acompanhavam como sábios e conselheiros os grandes Reis Iniciados do período védico. Todos os que puderam acompanhar as suas ações, discursos e livros diziam que a melhor qualificação para ele era o de Sábio, com maiúsculas.

Hoje Vi Uma Estrela

Hoje vi uma estrela…
Eu vi-a com outras estrelas que Deus colocou nos homens: os olhos. E assim, entre os meus olhos e a estrela celeste, estabeleceu-se uma estranha relação de simpatia e um mesmo anseio de luz.
De imediato, apagaram-se da minha mente todos os extensos ensinamentos sobre os sóis que brilham no firmamento; sobre os anos-luz de distância que separam um astro do outro; sobre a matéria inconcebível que compõe esses mundos espaciais, e a estrela que vi assumiu a nova dimensão da Beleza. A sua mensagem não foi o simples facto matemático da sua existência dentro do grande universo.

Zaratustra, o Mestre do Eterno Retorno

Na secção de Ecce Homo dedicada a Assim Falava Zaratustra, Nietzsche identifica a atitude integral de afirmação de Zaratustra com o conceito de Dionísio. Zaratustra é «o mesmo o eterno sim», que afirma e assume plenamente o eterno retorno. Mas no livro Assim falava Zaratustra, a apresentação da doutrina do eterno retorno é feita passo a passo. Por exemplo, começamos no capítulo «Da Redenção», onde não nomeia o eterno retorno, mas o insinua. Neste capítulo confrontam-se duas conceções de temporalidade, a que quer libertar-se do tempo indo além, para alcançar uma essência imperecível e a da vontade, que «quer retroceder». Aparece o corcunda (máscara do erudito desgostoso com o peso da história e a sua erudição), que percebe que não é a eles que Zaratustra não confessa que o tempo regressará, mas que ainda não se atreve a dizer a si mesmo.

Atlântida: Destruição das Teorias Antropológicas Materialistas

As teorias que sobre o desenvolvimento das civilizações e, a antiguidade do Homo sapiens, desenvolveram os “evolucionistas” e o materialismo, em geral, no início do século XIX, desmoronam estrondosamente.
Aqueles de nós que fomos e somos leitores habituais da Doutrina Secreta de HP Blavatsky sabemos como, há um século, a autora teve que lutar contra a “evidência” da “ciência oficial” sobre a antiguidade abreviada do homem, a não existência da Atlântida. e a crença de que a cultura humana não tinha mais de 6.000 anos. Certos conhecimentos, como o conhecimento astronómico, foram atribuídos a centros civilizacionais gregos, se não romanos.

Fontes Blavatskyanas para a Linguagem dos Mistérios e suas Chaves

A intuição, a clarividência e a competência de Blavatsky são atributos evidentes na sua obra, nos seus argumentos, na sua dialética. Blavatsky tem a plena noção da valorização do método científico, concretamente no que concerne à confrontação das fontes, tão sistematizadas neste seu capítulo, para validação ou reforço da sua tese, em torno da existência de uma linguagem de mistério. Relembramos que o século XIX foi enriquecendo o debate do conhecimento, partilhado pelas visões do ocultismo, da espiritualidade e de um positivismo muito arraigado. Blavatsky inicia este seu texto, muito interessante na perspetiva da dialética das fontes, com as descobertas feitas ao tempo, por matemáticos e cabalistas eminentes, ou seja, a profícua autora da teosofia moderna, revela a necessidade de colocar frente a frente, as visões dos atores da ciência e a sabedoria ocultista. É neste contexto que fazemos emergir este considerável diálogo das fontes blavatskyanas para contextualização da linguagem dos mistérios.

Edward Bernays ou a Gestão da Opinião Pública

Hoje em dia estamos habituados, infelizmente, com a influência da publicidade nas nossas vidas oferecendo-nos produtos que nunca ouvimos falar, mas que são sem dúvida o que «esperamos” ou o que «queremos» e o que ainda não ouvimos, mas a publicidade se encarregará de nos informar para, imediatamente, irmos atrás deles e os adquirimos. Há também consultores de imagem que protegem os seus clientes, apresentando-os da melhor maneira possível e fazendo desaparecer qualquer coisa que possa manchar tal imagem. No caso das ideias, ou melhor, ideologias, sejam elas políticas ou religiosas, estaríamos falando de propaganda, embora o termo não seja usado hoje pela má imprensa e para diferenciá-la da publicidade, que se refere a produtos físicos, embora há algum tempo muitas empresas tenham começado a chamar «produtos» aos seus serviços, mas isso é apenas um dos muitos exemplos do esvaziamento conceitual tão comum nos nossos dias.

Musas da Educação na Literatura

Os documentos mais antigos conhecidos são tabuinhas de argila datadas de 5000 a.C. Estão em escrita cuneiforme e foram encontrados na cidade de Uruk, na antiga Suméria, considerando-se que formam, todas juntas, a primeira biblioteca conhecida na história.
É difícil estabelecer a origem da escrita. Em algumas culturas da antiguidade foi-lhe concedida uma origem divina. No Egito pensava-se que a escrita vinha de Thot, deus do Conhecimento. Na Grécia, era Prometeu quem a concedeu à humanidade, como um presente. E na Suméria essa tarefa foi deixada para Inanna, deusa do Amor e da Beleza que, tendo-a roubado de Enki, deus da Sabedoria, a deu ao povo.

O Mito Persa de Yima

Trata-se de um dos mitos mais importantes da tradição avéstica. Aparece como tal no segundo Fargard de Vendidad Sade, o tratado do Militante. No entanto, ao não incluir um conjunto de preceitos morais, faz pensar os especialistas de que talvez se trate da interpolação de um mito antigo. Da Índia? Referente à humanidade primitiva, aquela que havia antecedido o Dilúvio Universal, o afundamento da Atlântida? As semelhanças com o mito bíblico de Noé ou do sumério Utnapishtin são evidentes. Neste hino Yima é o primeiro rei, o primeiro homem com que Ormuz, rei dos deuses, teria “conversado”. O primeiro que teria recebido a Lei de Ahura Mazda, a mesma que Zoroastro teria anunciado e içado como estandarte de ideias capaz de transformar a Humanidade sumida no caos da ignorância. Ahura Mazda encarrega Yima de ser o portador de uma “Revelação”, porém este se considera incapaz e aceita somente engendrar criaturas e governá-las com equidade. Compromete-se perante Ahura, “a proteger o mundo, alimentar e velar por ele”, mas não para ensinar, meditar e proclamar a Lei. Recebe de Deus os instrumentos mágicos, uma lança e um anel de ouro. Faz crescer tanto as criaturas na Terra, que esta não é suficiente para contê-las e alimentá-las, e por três vezes ele deve alargá-la com os presentes mágicos de Ormuz. Sobre esta terra renovada alargou a propagação de “gado, animais selvagens, homens, cães, pássaros e fogos vermelhos e ardentes”, até não haver mais sítio para eles e a Terra não poder aumentar mais o seu tamanho. Yima seguindo as instruções de Ormuz, vê-se obrigado a reduzir a superpopulação, fazendo uma seleção dos “germes” dos melhores exemplares. O resto é devastado por intermédio de um cataclismo em que as águas cobrem e dissolvem tudo o que pesava sobre Spendarmat (a Terra). As sementes de homens, animais e fogos são resguardadas num recinto (VARA) em que tudo cresce muito lentamente e os homens se reproduzem a cada 40 anos. Todas as criaturas selecionadas vivem em pares num reino isento de maldade e discórdia, ao abrigo das geladas águas do alto, das perigosas torrentes dos vales e da neve gelada das regiões intermédias. Yima elevou fortes e altas muralhas em torno do recinto sagrado e no seu centro, uma torre com janelas de onde se derrama um divino esplendor. Um pássaro chegado do céu, KARSHIPTA, ensina a Lei de Ahura a todas as criaturas.

Sobre a Cordura

Entre tantos valores que faltam, a cordura ocupa um lugar muito especial. Se ser cordato é o oposto de ser louco, hoje há traços variados de loucura em todos os níveis humanos, ao ponto de ser difícil reconhecer quem é quem e onde está o limite subtil que diferencia uns dos outros.

A Influência da Beleza no Carácter

O nosso ponto de partida filosófico é o reconhecimento de que tudo o que existe está relacionado de alguma maneira, e aceitamos que existem caminhos que podem ser percorridos do invisível para o visível, e vice-versa. Assim é na questão que nos ocupa. Fazendo-me eco do pensamento clássico na antiguidade, tenho a certeza de que não estavam errados ao afirmar que se um ser humano vive rodeado de beleza, a sua alma será cada vez mais bela nas suas expressões que serão objectivamente reflectidas nos seus actos, nas suas palavras, em suma na sua presença. Tenho consciência de que hoje está na moda a fealdade, e isto dá-me alguma tranquilidade, porque nada mais é do que isso: uma moda, cujo momento de ebulição passará mais ou menos em breve. Concretamente, o que é preciso a uma geração de intelectuais para ser exposta na sua pomposa superficialidade.

A Desintegração da Cultura

O conceito de cultura poderia definir-se como o conjunto de valores permanentes, conhecimentos científicos, crenças e experiências que vão sendo acumuladas de geração em geração pela Humanidade. Sendo os componentes da Humanidade fisicamente efémeros, vencem, porém, o tempo e a morte, perpetuando-se na transmissão do melhor de si aos seus próprios descendentes, para que o homem, sempre renovado e jovem, seja “experiencialmente” cada vez mais velho e, portanto, mais apto e mais sábio.
A própria civilização não é mais do que a plasmação de uma cultura no plano concreto, tal como o vaso de barro é a plasmação da ideia que teve previamente o oleiro. Desta forma, sem cultura não há civilização. Pelo menos, não há uma civilização viva, capaz de reproduzir-se em tipos cada vez mais evoluídos. Uma civilização pode perdurar mesmo depois da dissolução da sua cultura, mas fá-lo-á como o cadáver o faz: só brevemente depois da morte. Logo virá o processo de putrefação, e a união harmónica que outrora regentara tudo, converte-se num caótico laboratório químico e físico, povoado de vermes e larvas, coberto apenas por uma mortalha fétida e pela fria lápide da recordação do que foi, mas não é mais.

Séneca: A Filosofia como Terapia

Personagem multifacetada, Lúcio Aneu Séneca (4 a. C.- 65 d. C.) viveu uma das épocas mais controversas do Império Romano. Foi filósofo, político, advogado, escritor de prestígio no seu tempo e preceptor do imperador Nero. É um dos maiores expoentes do estoicismo romano. A sua filosofia é uma autêntica terapia para a alma e um conforto para os momentos difíceis da vida. Mais de dois milénios se passaram e os seus ensinamentos adquirem uma tremenda relevância pela sua profunda compreensão das fontes psicológicas do ser humano. Séneca pretendia que a filosofia realmente ajudasse o ser humano a ser mais feliz, conhecer-se a si mesmo e viver mais de acordo com a natureza. Portanto, ele não considerava filosofia o que era ensinado por outras personagens que se chamavam a si mesmos filósofos e que se dedicavam a fazer jogos de sofismas ou silogismos cujo único propósito era aguçar o engenhoso. Cícero chamava aos sofismas “Reflexões” ou “interrogações subtis”, que são inúteis para a vida.

Egito e o Nilo

A civilização egípcia desenvolveu-se dentro de um duplo quadro geográfico. Por um lado, os grandes desertos do sul, que confinavam com a Núbia, eram áridos e obrigavam os homens ao trabalho constante e à preocupação por manter uma agricultura florescente. Não era tarefa simples. Era necessário prever o abastecimento de água, canalizá-la e construir tanques, para garantir colheitas florescentes. As cidades estavam relativamente isoladas, como ilhas num mar de areia reverberante, cujas ondas de dunas cobriam e descobriam gradualmente vestígios já antigos do período médio. Pelo contrário, o Delta, ao norte, formava as terras baixas, com territórios férteis, capazes de dar várias colheitas num ano. O viajante Nilo abria-se em várias bocas, algumas naturais e outras criadas pela mão do homem, e ia desaguar no Mediterrâneo, formando uma grande porta de comunicação entre o Egito e as grandes culturas mediterrâneas produzindo assim um intercâmbio de valores culturais e materiais entre os povos. O Nilo, além de dar água a todo o território e fornecer o limo fertilizante nas cheias anuais, era a principal via de comunicação. Era a grande estrada fluvial, a coluna vertebral civilizatória. Através dele, os barcos cruzaram territórios durante a após o Período Pré-dinástico, e alcançou-se a unificação política que historicamente personificamos em Narmer, o primeiro rei do alto e baixo Egito.

Rumo a uma Nova Educação

Dizer que a vida é uma grande luta não é descobrir um grande mistério. Podemos afirmar que toda a nossa existência decorre num constante estado de guerra que se realiza num verdadeiro campo de guerra.
Existem uns anos na vida, os do desenvolvimento, que esta batalha piora mas, noutros parece mitigar-se. Porém, a luta nunca cessa.

A Energia da Natureza, Chi e Música na China

Na China antiga e semelhante à ideia de som como potência, surge o conceito de chi. Foi definido como “energia”, “alento vital” ou expressão do éter ou quinto princípio, relacionado com a “respiração” e “espírito” (também em latim espírito significa alento). O Chi é uma energia estreitamente ligada à vida e à consciência e que pode afetar diretamente a energia física e a matéria em geral. O chi flui, está estruturado, é coerente. Mas, no entanto, não tem limites e carece de forma. Para os antigos chineses, o conceito de chi é fundamental para a compreensão da Natureza, da Vida e do Cosmos. Intimamente relacionado com ele estavam os fenómenos de tom, timbre e ressonância.

Ibn Arabí e os Caminhos do Amor

Todos os místicos de todas as eras ensinaram que existem tantos caminhos quanto caminhantes. Mas, como na lenda do Graal, só alguns são escolhidos para viver esta aventura espiritual que une as experiências de um modo tão misterioso, «elétrico» e definitivo.
Nos textos tibetanos – os livros de Dzyan -, fala-se destas sendas como as Sendas da Felicidade, sete em número. Para cada alma, a estrela ou Deus interior estende um raio de luz que é projetado sobre a terra em que essa alma está de pé: esta é a senda. Mas assim como a lua traça infinitos rastros de prata sobre o mar, tantos como os olhos que observam, para cada buscador a senda é uma: desce como um raio de luz e é projetada no karma de cada um, dando-lhe um significado, uma teleologia; estruturando-o sob a forma de uma escada interna; pois «UM SÓ SER NÃO PODE AMAR MAIS QUE UM E ÚNICO PRINCÍPIO».

A Metafísica no Caminho da Ciência

A construção da ciência não se pode dissociar do momento histórico que está sempre impregnado de ignorância, preconceito e conjuntura, fatores estes que são continuamente interferentes na formulação da sabedoria epistemológica, a qual deverá ter como objetivo primordial, o conhecimento da humanidade. Desde o tempo dos construtores da filosofia natural até à contemporaneidade científica que existe a necessidade de renovação do epistema, num processo complexo e reiterado de confrontação com a doxa do momento. Sem a evidência de opiniões isoladas, supostamente verdadeiras, não se consegue alcançar a endoxa (as opiniões geralmente aceites pela sociedade), que consequentemente, venha a transformar-se num epistema. Este processo obedece a uma lei de continuidade, de reverificação, redefinição e revalidação do sistema dinâmico «doxa-endoxa-epistema», geralmente circunscrito aos fenómenos do domínio da matéria, esporadicamente intensificado na prospeção das ciências do espírito. A matéria e o espírito são indissociáveis e complementares, uma vez que ambos convergem no engrandecimento do conhecimento da humanidade. Para tal, chegamos ao momento de incrementar a construção de um epistema metafísico, capaz de fornecer respostas à transcendência sensível que caracteriza o binómio espírito e matéria.

Explorações e Conquistas: a Viagem das Ideias

Entre as duas polaridades extremas no eixo equinocial do mundo, a China no Oriente e no Ocidente a zona de influência da cultura grega: Itália, sul da Gália, Sicília, Cartago, Sardenha e a costa sudeste da Espanha, teceram-se juntas ao longo dos séculos influências e civilizações. As ideias viajaram pelos mais inesperados caminhos, fertilizando no seu rastro as grandes extensões onde surgiram as culturas dos povos semitas, Irão e a Índia, verdadeiros intermediários, lugares de síntese duradouros.
Embora tenhamos a ideia de dois mundos diferentes, que vivem a História com ritmos diferentes, o Oriente e o Ocidente partilham desde tempos antigos formas culturais e meios técnicos, a tal ponto que a divisão entre estes dois mundos é artificial e só resulta de uma oposição inventada pelo reducionismo. Também é impreciso atribuir às chamadas «culturas superiores» todos os avanços civilizatórios, e considerar os povos que sucessivamente invadiram os seus domínios como bárbaros desprovidos de qualquer cultura, pois eles também contribuíram para aumentar o património cultural.

As Sete Leis da Natureza. Conselhos da Mãe Terra

Queremos ouvir os conselhos da Terra, e estes não podem ser ouvidos de qualquer maneira, mas devemos pôr em jogo alguns sentidos internos, uns sentidos muito especiais, que normalmente não usamos. Não é muito fácil ouvir a voz da Terra, o que ela nos diz através dos seus movimentos, através das suas acções e das suas reacções. Há algo na Terra que inclui linguagem implícita, e deve ser importante, porque se não fosse assim este dia não lhe teria sido especialmente dedicado. O que significa que ainda temos muito a aprender com o nosso próprio planeta. Desde sempre, os seres humanos foram muito atraídos pelos fenómenos do Universo em geral, e especialmente por aqueles relativos ao mundo em que vivemos. Muitos sábios da antiguidade e do presente têm em conta a precisão matemática que manifesta a Terra nas suas expressões de todo o tipo. E mesmo quando essa precisão é minimamente alterada, ainda a consideramos como parte da sua precisão. Além de toda a crença religiosa, há aqueles que reflectiram essa precisão nas leis matemáticas, e outros que a expressaram em motivos filosóficos.

Necessidade de Ecologia Política

Nos últimos anos comprovamos um interesse, a nível mundial, sobre a necessidade de harmonizar o Homem com a Natureza. Antigos preconceitos “religiosos”, unidos ao crescimento deformado da nossa civilização materialista degenerada, numa adoração aberrante do técnico–artificial e de um subjetivismo desumanizado, levaram-nos a este momento histórico altamente conflituoso e asfixiante, sumamente perigoso e com pressentimentos de um futuro apocalíptico.
É de desejar que não seja demasiado tarde.

As Idades do Medo

Todas as coisas que existem, objetivas e subjetivas, têm o seu momento e o seu lugar para se manifestar, e assim o fazem. Se o interiorizamos, encontraremos um ponto de apoio para construir as nossas ações e reações. E num mundo tão mutante não é supérfluo ter uma referência inicial que coloque a nossa consciência num presente aceito. Não é absurdo pensar, então, que percorremos a vida na companhia de inseparáveis companheiros ​​na forma de medos e esperanças.

Um Improvável Diálogo entre a Fé e a Razão

Esta história que vamos contar ocorreu há muito, muito tempo, tanto que o seu final ficou escondido pelas brumas dos séculos. Deambulavam pelos caminhos do mundo a Fé e a Razão num incessante, ininterrupto e constante movimento para chegarem a todos os recantos humanos. Passavam nos mais diversos locais habitados e demoravam-se ora aqui, ora ali, com variada intensidade de tempo. Como tinham de passar em imensos lugares, viajavam ligeiras, nunca a par ou ao lado uma de outra, antes uma após outra, primeiro uma depois outra, e primeiro a outra e depois a primeira, não juntas mas sempre perseguindo-se, ora uma, ora outra. Umas vezes estavam mais próximas entre si e outras, alongando-se os caminhos, ficavam muito distanciadas. Nunca se perdiam e até pareciam que competiam entre si. Quem chega primeiro? Quem prevalece mais tempo? Qual o caminho mais curto?