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Sociedade

Informação ou Manipulação?

Delia Steinberg Guzmán 0 105

Desde há dezenas de séculos, filósofos de diferentes partes do mundo destacam que é caraterístico da mente conhecer as coisas através de oposições. Comparar, ainda que subconscientemente, o branco e o negro, o frio e o quente – para não citar mais exemplos – ajuda-nos a situar naquilo que podemos conhecer.
Hoje, mais do que nunca, o uso dos opostos é uma realidade, embora seja discutível se estas polaridades nos ajudam a obter um conhecimento adequado ou se, pelo contrário, nos confundem de tal maneira, que é impossível saber quando estamos diante da verdade, da mentira ou de uma nebulosa onde se diluem tanto uma como outra.

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Edward Bernays ou a Gestão da Opinião Pública

Alfredo Aguilar 0 692

Hoje em dia estamos habituados, infelizmente, com a influência da publicidade nas nossas vidas oferecendo-nos produtos que nunca ouvimos falar, mas que são sem dúvida o que «esperamos” ou o que «queremos» e o que ainda não ouvimos, mas a publicidade se encarregará de nos informar para, imediatamente, irmos atrás deles e os adquirimos. Há também consultores de imagem que protegem os seus clientes, apresentando-os da melhor maneira possível e fazendo desaparecer qualquer coisa que possa manchar tal imagem. No caso das ideias, ou melhor, ideologias, sejam elas políticas ou religiosas, estaríamos falando de propaganda, embora o termo não seja usado hoje pela má imprensa e para diferenciá-la da publicidade, que se refere a produtos físicos, embora há algum tempo muitas empresas tenham começado a chamar «produtos» aos seus serviços, mas isso é apenas um dos muitos exemplos do esvaziamento conceitual tão comum nos nossos dias.

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Uma Onda de Medo

Juntamente com as conquistas científicas que nos deslumbram todos os dias e mostram a grande capacidade intelectual do homem, vivemos situações psicológicas de terror que nada têm a ver com inteligência. Corre por toda a parte uma onda de medo face às epidemias e catástrofes que assolam o mundo sem que ninguém consiga descobrir as causas, não tanto das epidemias ou catástrofes, mas das raízes do medo. Como em qualquer época de decadência civilizacional, disseminam-se formas irracionais de pânico, como se predominasse o medo ancestral do castigo divino em vez da explicação lógica do que acontece. Costumamos observar duas formas de reação: a vaidade da ignorância que procura destruir os problemas pela força, atacando-os cegamente, ou o medo da ignorância que imagina uma mão vingadora atirando pedras e males dos céus, ou esse mesmo medo que nos faz fechar os olhos aos acontecimentos, como se não os víssemos significasse que não existem.

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Peste!

Jorge Ángel Livraga 0 342

Li muito sobre as diferentes pestes que assolaram o planeta em diferentes épocas e lugares. Vi as maravilhas arquitetónicas que se ergueram em memória do seu término, atribuindo-lhe a intervenção divina, como é disso exemplo a famosa Coluna da Peste de Viena. Viajei repetidamente por países onde diferentes formas de doenças mortais, englobadas na palavra “peste”, são endémicas. No momento em que escrevo, Junho de 1991, a UNDRO comunica que em não menos de 60 países existe alguma forma de peste, e não parece que exagerem. Mas jamais me ocorreu viajar conscientemente até ao foco de uma peste declarada (os chamados países do Terceiro Mundo costumam ocultar as suas doenças para não se desprestigiarem, já que se consideram “em vias de desenvolvimento”, ou simplesmente para não espantar o turismo). Assim se dissimula a doença de chagas, a varíola, a febre amarela, o tétano, a raiva, a triquinose, a doença do sono, o paludismo , etc., que atingem as áreas mais deprimidas com intensidade variável, habitadas pela nossa triste Humanidade, onde pelo menos 60% vive em condições precárias, da qual uns 40% não tem uma melhor esperança de vida do que aquela que tinham os povos de há 4.000 anos na Europa.

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É Imparável o Efeito Estufa?(1)

Jorge Ángel Livraga 0 252

O fenómeno de um progressivo aquecimento da atmosfera está a semear inquietude entre os cientistas e um princípio de pânico entre aqueles que estão sempre preparados para anunciar o fim do mundo, com o perigo de uma psicose coletiva que vem entristecer ainda mais a nossa angustiada civilização. A Agência de Estatísticas da Comunidade Económica Europeia faz-nos saber que 1988, 1987, 1983, 1981, 1980 e 1986, nesta ordem de prioridades, foram os anos mais quentes de todo o século XX. Em detalhe, é referido que os valores mais altos da última década ocorreram no hemisfério sul. Os dados assinalam que enquanto o aumento no hemisfério norte, nos últimos cem anos, não chegou a 1ºC, no sul alcançou 3ºC. Destacamos que estas cifras não devem ser levadas ao pé da letra, pois em boa parte são estimativas resultantes do facto de não ter existido, durante a primeira metade do século2, uma preocupação por este aquecimento; e não ter existido, até há poucos anos, várias estações fiáveis comparativas no hemisfério sul. Embora não tenhamos registado um acordo total entre os especialistas, devido à complexidade teórica das causas possíveis do fenómeno, predomina a opinião generalizada –e muito provável– de que a outrora tão louvada “sociedade de consumo”, com o auge de indústrias, aerossóis, desertificação, aumento demográfico e aeronaves que voam a grande altitude; seja a responsável por um futuro desastre a nível mundial.

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Ética na Medicina

Antonio Alzina 0 513

O médico em exercício deve tomar decisões que possam influenciar a liberdade ou a vida humana. Deverá resolver problemas que não dependem apenas dos seus conhecimentos científicos, mas das suas crenças e convicções humanistas. A consciência dos nossos próprios limites, o respeito pela dignidade humana, a capacidade de se colocar no lugar do paciente, por exemplo, influenciarão claramente na assistência médica. Assim sensibilizado com o aspeto humano da doença, o médico pode compreender que está na presença de um ser completo que sofre e que precisa da ciência. Há uma ética geral e uma ética específica da medicina cujas origens se confundem. A história da ética médica é a história dos ideais profissionais e dos valores associados que influenciam a função do médico. Esses ideais éticos foram desenvolvidos e codificados em cada época pelos médicos mais renomados, e constituíram as normas que os praticantes impuseram a si mesmos. Desde o início da Humanidade, tem havido uma sobreposição entre religião e medicina. Não é de surpreender, então, que a ética religiosa tenha um lugar particular na deontologia médica. Da mesma forma, noutras épocas, os médicos descobriram a aplicação médica e social dos ideais ensinados por filósofos e pensadores: os pitagóricos, os estoicos e outros.

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De Crise em Crise

Alfredo Aguilar 0 282

A atual geração tem vivido desde 2007 uma transformação após outra. Primeiro a grande recessão de 2008 com uma grande crise imobiliária e financeira, depois o grande confinamento de 2020, quando o mundo literalmente parou, e desde fevereiro de 2022 a guerra da Ucrânia após a invasão russa. É, sem dúvida e também inegável, que a aceleração dos tempos – que alguns veem como positiva, talvez deslumbrados com o auge da tecnologia – esteja a quebrar todos os laços que mantêm unida a nossa civilização e o seu modo de vida. Isto acabou com muitas das nossas certezas, inúmeras coisas que antes dávamos como garantidas e que já não existem ou deixaram de existir.

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O Desafio de Viver em Sociedade. A Convivência como Desafio

Carlos Ramos 0 2758

Para o ser humano, viver em sociedade constitui uma necessidade. Costumamos dizer que o ser humano é um “animal social”*, ou seja, que necessita de socializar, de viver com, ou de conviver. Mas, desde sempre viver em sociedade constituiu um grande desafio e, hoje, talvez mais do que antigamente, observamos como a dificuldade aumentou. Observamos ainda que, mesmo as pessoas que vivem muito perto umas das outras, ainda mais graças às novas tecnologias, não se conhecem verdadeiramente e sentem-se mais isoladas do que antigamente. Têm dificuldade em dar-se bem umas com as outras, criar relacionamentos afetivos, respeitarem as diferenças, e expressarem coerentemente aquilo que sentem e pensam, revelando uma enorme dificuldade em ouvir os outros, com atenção e interesse.

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Terra Queimada

Alfredo Aguilar 0 432

A política de terra queimada tem sido utilizada em inumeráveis ocasiões ao longo da história como medida defensiva perante um exército invasor ou, em seu lugar, também por uma força invasora como castigo ao grupo derrotado. A ideia pressupõe queimar ou destruir todos os recursos que pudesse utilizar o inimigo para se alimentar e abastecer, além de envenenar os poços de água e impedi-lo de sobreviver. Todas estas acções de carácter bárbaro aconteceram em tempos de guerra e até um terrível conquistador se vangloriava que a erva não voltaria a crescer por onde ele passava.

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A Digitalização da Sociedade

Julian Scott 0 451

Durante o período de confinamento, alguns de vocês podem ter encontrado um conto de E. M. Forster chamado “The Machine Stops” (“A Máquina Pára”, em tradução livre), que se tornou notícia devido à sua extraordinária presciência. Escrito em 1909, cinco anos antes do evento cataclísmico que foi a Primeira Guerra Mundial, o autor descreve um mundo futuro em que as pessoas se auto-isolam, comunicam entre si por meio de ecrãs e controlam o ambiente das suas células individuais pressionando botões que lhes dão sensações realistas de som, cheiro e côr.

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William Walker. O Mergulhador

Jorge Ángel Livraga 1 1714

Na minha última viagem a Inglaterra, tive a fortuna de visitar a antiga catedral de Winchester. Milenar centro de peregrinação e religiosidade, um dos vórtices mágicos do planeta, o lugar em que no século XI se elevou a atual catedral gótica sobre alicerces normandos que ainda são visíveis no cruzeiro, foi assento de santuários mergulhados no mais remoto passado, anterior ainda aos romanos.

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A Temível Opinião Pública

Quando a sensatez e o conhecimento desaparecem do panorama da vida quotidiana, então a chamada “opinião pública” ergue-se num juiz infalível de tudo o que se faz e se diz.

Contudo, a opinião pública não é nem sábia, nem sensata, e não porque não tenha a possibilidade de o ser, mas antes porque não interessa que o seja. Pelo contrário, trata-se de manipular essa opinião, tornando-a tão variável como a própria moda.

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Os Limites do Nosso Telemóvel

Há muitos anos atrás fiz o Caminho de Santiago e recordo o vínculo tão especial que criei com o bastão que me ajudava a avançar passo a passo, dia após dia, horizonte a horizonte, sempre na direção do pôr do sol. É como se o bastão estivesse a ganhar, pouco a pouco vida, como se pudesse ter amizade com ele, como se se tornasse um elemento mágico, talismã por si só, sem que a vontade mediara nisso. Lembro-me de ter pensado que se isto acontecia com um bastão de peregrino, que seria com uma espada, que ao cravá-la no chão transformava o seu punho em cruz de oração. E não uma espada de “adorno”, mas uma espada de verdade, como as daqueles tempos em que a vida e a morte dormiam no seu metal. Não é estranho que os ibéricos chamaram as suas falcatas de “Amiga”, e que os almogávares as golpearam nas pedras antes da batalha gritando o seu “desperta ferro”, ou que os cavaleiros gravaram na sua lamina um nome mágico ou um lema. Não eram um objeto simples, elas eram uma aliada, uma presença numinosa na selva do mundo. Idéntica experiência tinham os artesãos com as suas ferramentas, que, como diziam os egípcios, são, para quem trabalha, a “bênção de Deus”.

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A Síndrome da Revolução Permanente

Jorge Ángel Livraga 0 892

Consideramos que todo o homem e toda a mulher são naturalmente filósofos. A capacidade ingénita que temos desde a infância de perguntarmos sobre o mundo e procurar respostas atesouramo-la dentro do nosso coração. Então, a vida, com as suas distintas facetas, vai adormecendo essa aptidão, vai recobrindo-a com uma série de elementos que nos fazem olvidar esse filósofo interior.

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A Balsa dos Náufragos

Jorge Ángel Livraga 0 443

À medida que nos vamos aproximando do final do século XX, torna-se mais evidente que estamos às portas de uma nova Idade Média. Os sistemas vigentes da moda tratam de o dissimular com a máscara do progresso, aparentemente imparável, no ramo da eletrónica e da cibernética, e com grandes promessas que, na melhor das hipóteses, alcançarão somente os países desenvolvidos… pois nos outros, que são a grande maioria, os problemas de sobrepopulação, higiene, medicação, reaparição de pestes que se acreditavam superadas, educação, economia, transportes e contínuas guerrilhas, somadas a vícios e toxicopedendência, terrorismo e violação dos direitos humanos fundamentais, são a única esperança que existe.

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Viagens Filosóficas: Os meus Amigos (Vivendo Agora) na Guerra Civil

Sabina Jarosch 0 317

Em Maio de 2010, estive mais uma vez na Síria. Além da sua riqueza cultural, é sobretudo o povo que torna este país tão impressionante. Uma vez que não consigo chegar a nenhum dos meus amigos devido à agitação da guerra civil, e uma vez que não sei como estão, se estão saudáveis ou mesmo vivos, gostaria de chamar a atenção, com estas linhas, para eles – e por meio deles para todos os outros.

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Comentários à Monarquia de Dante – Livro I

Carmen Morales 0 737

Em 1311, o escritor Dante Aligheiri, também conhecido como “o poeta supremo”, escreveu De Monarchia, um tratado no qual exporia as suas ideias políticas e que é um reflexo da sua filosofia, a cavalo entre o pensamento medieval e o florescente Renascimento. Apesar de que normalmente escrevesse em italiano – não é em vão que é considerado o pai deste idioma – esta obra foi escrita em latim, talvez com a intenção de promover a sua divulgação e fazer chegar o seu conteúdo a uma grande parte dos intelectuais da época.

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A Carta de Buffon a Si Mesmo

Antony Capitão 0 2440

Talvez nem todos conheçamos Gianluiggi Buffon, mas a grande maioria de nós conhece-o bem – embora ainda no activo, é o guarda-redes lendário da Itália, muitas vezes considerado o melhor do Mundo. Foi campeão mundial, ganhou inúmeros campeonatos, taças. Um exemplo perfeito de sucesso, um ícone moderno de realização – uma bela carreira, fama, dinheiro, títulos; e no entanto algo ia correndo mal.

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A Criança Enquanto Mistério Espiritual

Rafael Zamith Pereira 1 1792

Parece existir hoje alguma compreensão, se bem que parcial, sobre a importância da educação da criança para o futuro e para a saúde de uma sociedade. No entanto, não parece haver uma compreensão generalizada e clara sobre o que é a criança, a sua natureza profunda e o mais valoroso e legítimo contributo que pode dar ao mundo. Imagem: Detalhe da obra de Murillo “San Buenaventura e San Leandro”. Domínio Público

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História da Saúde. A “Estranha e Pouco Conhecida” Epidemia da Dança

João Sousa 0 764

Ao longo da História, várias pandemias e epidemias ocorreram, sendo a Gripe Espanhola, a Varíola, a Tuberculose, a Cólera ou a Peste Negra algumas das mais notórias. No entanto, outras epidemias, quer pelas suas consequências não terem sido tão devastadoras como também por terem tido um período de ação mais curto, foram quase esquecidas com o decorrer das séculos. Imagem: “Dança em Molenbeek” de Pieter Brueghel, o Jovem. Domínio Público

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Constituição Interna do Homem no Antigo Egito. O Coração

Juan Martín Carpio 0 1576

Para os antigos egípcios, o coração corresponde a dois conceitos, um é o coração-mente, e o outro o coração psico-emocional que influencia com as suas mudanças as batidas do coração físico. Em todo o caso, o coração representa a consciência em movimento. Estes mesmos conceitos também se encontram na antiga China, onde recebem o nome de fogo imperial e fogo ministerial, respetivamente.

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O medo e as Etapas da Vida

Carlos Adelantado 0 1205

Vivemos no mundo do laser, dos aceleradores de partículas, da transmissão de imagens por satélite, dos grandes computadores e dos microchips e de outras muitas coisas tão particulares desta época.

Mas, ao mesmo tempo, vivemos com nossos desejos, paixões, defeitos e virtudes, com nossos medos universais e atemporais, próprios de todo ser humano e de toda época.

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História Oculta da Espécie Humana

José Carlos Fernández 0 1497

Este livro é, na verdade, a versão resumida de “Arqueologia Proibida”, de Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, de quase mil páginas. Este último, editado em 1993, é talvez, e o futuro o dirá, um dos livros mais importantes do século XX, pelo menos no que diz respeito à revisão histórica, e usando a palavra “revisão” no melhor sentido, ou seja, o da revisão necessária do que foi manipulado, adulterado, intencionalmente ocultado, etc.

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