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Culturas

A Esfinge

Segundo uma remota tradição egípcia recolhida e poetizada pelos gregos, a esfinge é um monstro com corpo de animal e cabeça de homem, que existe e não existe.
Descartando desde já as efémeras formas de crença dos distintos povos, que atribuíram caráter objetivo e tangível a esta criatura, a esfinge é um símbolo. Um símbolo não é uma mera fantasia, mas uma realidade psicológica prenhe de significados.

Sabedoria Egípcia Escondida entre Hieróglifos e Papiros

Conhecemos o termo sophia desde os tempos da Grécia Antiga, e já na altura, o conceito conjugava em si quatro premissas basilares: conhecimento, ação, saber e virtude. Mas mais do que um conceito grego, a “sabedoria” traduz uma forma de conduta, de atuar e de agir de acordo com a ética. Atuar sabiamente era essencial. Possuir esta capacidade era um dom que equivalia a ter conhecimento de todas as coisas e a aplicá-las da melhor maneira, podendo-se assim contemplar a verdade camuflada do Mundo.

Luz de Lisboa

Os cineastas vêm a Lisboa para filmar, porque sabem desta luz feiticeira. Assim como os publicitários, sendo usada para publicitar interesses menos sagrados do que ela. Os pintores, e os fotógrafos, querem desvendar os seus mistérios fazendo uso dos seus pincéis e do olho da sua câmara, os poetas dedicam-lhe versos e os escritores não se esquecem de incluí-la nos seus relatos e descrições, porque é uma das características mais distintas desta cidade. Os cientistas investigam os seus diferentes raios e frequências, estudam os ventos que formam e limpam o ar, as mini partículas em suspensão que a refletem e dispersam, o efeito diáfano das águas do Tejo que a devolve na face brilhante da sua linfa.

Um Novo Modelo de Civilização

Uma das coisas mais surpreendentes sobre civilizações antigas é a unidade do seu modo de vida. No Instituto de Artes de Chicago, por exemplo, há uma bela estela das ruínas maias de Calakmul, no México. Essa estela apresenta um governante na sua tarefa como sumo sacerdote, vestido com trajes cerimoniais, segurando objetos rituais e executando claramente um ritual importante. O ritual em questão, nós acreditamos que está relacionado com o fecho de um ciclo de dez anos no calendário maia, que foi medido com tal precisão, que hoje podemos determinar a data exata do ritual.

A Kalevala

Um épico finlandês verdadeiramente belo, no qual as palavras tecem histórias antigas do mundo, os seus ciclos de vida e os seus heróis. Cantada e transmitida de boca em boca durante séculos, foi gravada apenas no século XIX por Elias Lönnrot.

Etana. O Rei que Voou Até aos Céus

No Ashmolean Museum de Oxford há uma curiosa peça de 4000 anos de antiguidade, conhecida como o «prisma de Weld-Blundell». Foi descoberta num local arqueológico da antiga cidade de Nippur, pelo investigador germano-americano Hermann Hilprecht e, desde a publicação do seu conteúdo em 1906 é, possivelmente, um dos descobrimentos que mais tem dado que falar aos estudiosos, uma vez que contém, escrita em língua suméria e caracteres cuneiformes, uma detalhada lista dos reis sumérios desde os tempos anteriores ao dilúvio até aos reis da dinastia Isin, a última a que faz referência, datada do século XVIII a.C.. 

Constituição do Homem no Antigo Egipto. O Ka

Imaginemos uma grande central elétrica numa cidade, capaz de fornecer energia a qualquer casa, na forma de quilovolts de eletricidade. Essa energia seria equivalente ao conceito de “Prana” dos hindus, ou o “Ki” dos japoneses, ou o “Chi” dos chineses: a energia vital de origem solar que circunda toda a terra.

As Quatro Rainhas do Mito Artúrico e a Ascensão da Alma Humana

Trinta anos depois, li novamente, com grande satisfação, o livro de John Steinbeck “Os feitos do Rei Artur e seus nobres cavaleiros”, uma obra infelizmente inacabada e que é um tributo à chamada “Morte de Artur” de Thomas Mallory (1415-1471), livro de referência da literatura inglesa.

No capítulo de Lancelot, este primeiro cavaleiro da Távola Redonda enfrenta uma prova onde deve vencer a magia e as tentações de quatro rainhas. Como Lancelot é o símbolo da alma humana, sendo o cavaleiro mais sublime nesta obra artúrica, as quatro rainhas simbolizam, talvez, as quatro grandes ambições horizontais que arrastam a consciência, fragmentando-a.

Isabel de Portugal, Rainha de Espanha

No imaginário de todos os povos, há personagens que perduram através do tempo deixando atrás de si um rastro luminoso de respeito e admiração. Entre as rainhas espanholas dos últimos séculos, há uma que se destaca pela simpatia que desperta, mais de 400 anos depois da sua morte. Referimo-nos a Isabel de Portugal, esposa de Carlos I de Espanha e V da Alemanha, rainha e imperatriz e governadora de Castela e Aragão nos momentos de regência.

Alquimia e Imortalidade Chinesa

A alquimia chinesa tem dois ramos principais: “alquimia externa” (Waidan) e “alquimia interna” (Naidan). Ambas as palavras estão relacionadas à palavra dan (elixir), que evolui de um significado-raiz de “essência” (a verdadeira natureza e qualidade de uma entidade). Nesta breve introdução, vou-me concentrar na tradição da alquimia externa ou Waidan. Imagem: Parte do I Ching gravada em pedra, no Museu Beilin, em Xian, China. Creative Commons

Filosofia do Povo do Sol

Com as palavras deste título, Miguel Ángel Portillo refere-se à profundidade e complexidade do pensamento asteca. Na sua excepcional obra (que já é um clássico sobre este assunto), “Los Antiguos Mexicanos”, através das crónicas e canções mexicanas, mostra que há toda uma filosofia nos seus códices, tradições orais e construções sagradas. Imagem: Huitzilopochtli. Domínio Público

A Selva dos Deuses Egípcios e o Machado (II) Akhenaton e a Inquisição

No Egito ninguém “pertencia” a uma religião, não havia osirianos, ísisianos ou amonianos. Havia sacerdotes desses cultos, mas em muitos casos permutáveis, como uma espécie de cargos administrativos, e em qualquer caso os Sumos Sacerdotes desses cultos eram apenas representantes do faraó e este representava todo o povo perante o mundo do divino, sem distinções.

A Selva dos Deuses Egípcios e o Machado (I)

Antes de tentar entender o significado dos deuses do Egito Antigo, deve ser esclarecido o significado do hieróglifo que os representa. A palavra que geralmente é traduzida por “deus/deuses” é “neter/neteru”. O seu significado ainda não está esclarecido e o símbolo que o representa tem sido interpretado de muitas maneiras.

Constituição Interna do Homem no Antigo Egito. O Coração

Para os antigos egípcios, o coração corresponde a dois conceitos, um é o coração-mente, e o outro o coração psico-emocional que influencia com as suas mudanças as batidas do coração físico. Em todo o caso, o coração representa a consciência em movimento. Estes mesmos conceitos também se encontram na antiga China, onde recebem o nome de fogo imperial e fogo ministerial, respetivamente.

O que se esconde detrás do Santo Sudário? (Parte II)

Neste ponto, a história substitui a mitologia, como é o caso, por exemplo, da fundação de Roma ou da Guerra de Tróia. Os resultados das investigações tornam-se mais precisos e tendem a ser contemporâneos dos factos, e tanto é assim que várias figuras importantes da época, como Calvino, gozavam com a aparente capacidade da Igreja Católica de repor o que foi perdido ou queimado. Imagem: Fotografia do Sudário em duas versões à esquerda, em positivo; e à direita, negativo. Domínio Público

O que se esconde detrás do Santo Sudário? (Parte I)

Estamos no século XIX. Das centenas de lenços de diferentes tamanhos que existem no mundo representando todo o corpo ou apenas o rosto de um homem, – presumivelmente Jesus Cristo – o mais impressionante e venerado é o que se conserva em Turim. O Papa Pio VII, um grande devoto desta relíquia, a caminho de Paris, pediu para a ver e a urna foi-lhe aberta. Corre o ano de 1804. Imagem: Fotografia do Sudário em duas versões à esquerda, em positivo; e à direita, negativo. Domínio Público

Tradições sobre o Rei do Mundo

Desde o início da humanidade tem sido mencionada a existência de um governo interno do mundo, de uma Hierarquia que dirige tudo o que acontece nele, uma Hierarquia de Seres Superiores que no seu reflexo entre os seres humanos são imagem e semelhança da sua parte interna. É o que se conhece como o Rei do Mundo do qual, embora pouco se saiba, todas as tradições concordam em falar dele. Mas há uma pergunta latente entre os seres humanos: Até que ponto, num mundo indefeso, perseguido pelo materialismo e mergulhado numa profunda crise especialmente espiritual, este Rei do Mundo pode ser concebido se não acaba com todo este sofrimento de uma vez por todas? Para responder a esta pergunta é necessário ter em conta a chave experimental: a humanidade deve aprender com o bem e o mal para decidir por si mesma.

Devemos Honrar o Deus Polvo?

Talvez Aristóteles, tão devoto do sistema indutivo, tenha sido influenciado pelas aparências quando chamou o polvo de estúpido, apesar de ter destacado a sua adaptabilidade e capacidade de camuflagem. Claro, um símbolo tem inúmeros matizes, e a falta de sistema ósseo ou equivalente (sendo um molusco), também significa aqueles que não têm princípios, se mimetizam, esperam e depois nos devoram, ou tentam fazê-lo. Imagem: Ânfora do palácio micênico, encontrada na Argolida. Museu Nacional de Arqueologia de Atenas. Creative Commons.

Constituição Interna do Homem no Antigo Egipto. O Aj

Antes de explicar o que é Aj, devemos esclarecer a imagem acima. Representa Aker, o leão, e embora apareçam representados dois é o mesmo em duas funções. O da esquerda, como o hieróglifo indica, é “Duaj”, que significa “Ontem”, e à direita está escrito “Sefer” que significa “Amanhã”. São representados de um lado e do outro por duas montanhas entre as quais aparece o Sol, nascendo ou se pondo. Este último, as montanhas e o sol, é chamado de Ajet, uma palavra relacionada com o Aj que estamos estudando. Ajet é o “Horizonte Luminoso”.

O Mistério dos Aeromodelos Milenários

Desde os seus remotos ancestrais que o Homem quis voar. E sabemos que do querer ao poder há uma distância curta ou longa, mas que termina inexoravelmente com a satisfação do desejo. Este é um axioma da Natureza que, desta forma, presenteia as suas criaturas com toda a espécie de oportunidades e experiências. Imagem: Jorge Ángel Livraga. Biblioteca Nueva Acrópolis

Constituição Interna do Homem no Antigo Egito. O Ba e a Sombra

Aparece frequentemente representado como um pássaro – falcão, cegonha ou íbis – com cabeça humana, com o símbolo do fogo em frente – o quarto elemento da série terra, água, ar e fogo, ou corpo físico, vital, emocional e mental que nos recorda o seu sentido espiritual e ao mesmo tempo a sua origem no mental. O Ba manifesta-se a partir da morte, existe no interior, mora no coração do ser vivo, mas só quando morre aparece claramente definido. São abundantes os amuletos na forma de coração, nalguns pode-se ver uma cabeça humana surgindo do coração e, noutros casos, um falcão com cabeça humana, o Ba. Imagem: Duas imagens do Ba. Templo de Dendera. Creative Commons

O Simbolismo do Sumo

Imagem: Combatentes de Sumo Mutsugamine (à direita) e Unryû (à esquerda), Juiz Oitekaze (à direita), e o árbitro Kimura Shôtarô (à esquerda) da autoria de Toyokuni ga, num cartucho toshidama (1854). Domínio Público

Os Valentes do Graal

Não é fácil transcender o tempo. Os seres humanos, geralmente, encaixam-se no momento histórico que lhes coube em sorte, sem conseguir ver mais além dos dias e das horas, sem encontrar o canal luminoso que une os feitos mais além das datas. Imagem: Os cavaleiros do Rei Arthur, reunidos na Távola Redonda para celebrar o Pentecostes, têm uma visão do Santo Graal. Do fólio 610v do BNF Fr 116, encomendado por Jacques d’Armagnac. Domínio Público

O Aspeto Esotérico da Cavalaria

O termo “cavalaria” vem do francês “chevalier”, que significa “cavaleiro”. Simbolicamente, o cavalo representa o corpo com suas energias e emoções associadas, enquanto, o cavaleiro, representa o eu superior do ser humano, a melhor e a mais nobre parte de nós mesmos. O cavaleiro não é perfeito, mas está no caminho para a perfeição. Imagem: Lancelot e Guinevere, pintura de Herbert James Draper (1890). Public Domain