Pressione ESC para fechar

Literatura

O Jardim de Émile Zola

Na verdade, o nome do romance em que o protagonista é um jardim incrível é ” O Crime do Padre Mouret “. Émile Zola (1840-1902), seu autor, é considerado um dos pais do naturalismo, que viria a espalhar-se pela Europa, e foi decisivo, por exemplo num Galdós em Espanha ou num Eça de Queirós em Portugal. A descrição é detalhada, realista, natural, até crua, embora sem ficar distorcida como nos espelhos grotescos do Valle Inclán.

Continue lendo

Franco Battiato. Um Místico Contemporâneo. Parte II

Antony Capitão 0 288

Quando confrontado com o seu percurso, costumava dizer que começou pela filosofia indiana, e que entretanto encontrou Gurdieff, que impactou profundamente a sua vida. De forma muito resumida, podemos dizer que Battiato herdou a ideia da necessidade de um centro de gravidade permanente (fez da ideia uma das suas músicas mais conhecidas) , de harmonizar diferentes centros de uma falsa personalidade afim de dar voz e espaço a uma identidade mais profunda, identidade essa reflectida em todas as Tradições da Humanidade e que portanto faz parte de uma herança e conhecimentos universais.

Continue lendo

Sabedoria Egípcia Escondida entre Hieróglifos e Papiros

Cláudia Barros 0 969

Conhecemos o termo sophia desde os tempos da Grécia Antiga, e já na altura, o conceito conjugava em si quatro premissas basilares: conhecimento, ação, saber e virtude. Mas mais do que um conceito grego, a “sabedoria” traduz uma forma de conduta, de atuar e de agir de acordo com a ética. Atuar sabiamente era essencial. Possuir esta capacidade era um dom que equivalia a ter conhecimento de todas as coisas e a aplicá-las da melhor maneira, podendo-se assim contemplar a verdade camuflada do Mundo.

Continue lendo

Luz de Lisboa

José Carlos Fernández 0 493

Os cineastas vêm a Lisboa para filmar, porque sabem desta luz feiticeira. Assim como os publicitários, sendo usada para publicitar interesses menos sagrados do que ela. Os pintores, e os fotógrafos, querem desvendar os seus mistérios fazendo uso dos seus pincéis e do olho da sua câmara, os poetas dedicam-lhe versos e os escritores não se esquecem de incluí-la nos seus relatos e descrições, porque é uma das características mais distintas desta cidade. Os cientistas investigam os seus diferentes raios e frequências, estudam os ventos que formam e limpam o ar, as mini partículas em suspensão que a refletem e dispersam, o efeito diáfano das águas do Tejo que a devolve na face brilhante da sua linfa.

Continue lendo

Platão Mais Perto

Miguel Ángel Padilla 1 2640

Ao iniciar este trabalho sobre Platão perguntava-me se não seria mais um livro das dezenas de milhares que foram escritos sobre o divino filósofo ao longo da história, e talvez o seja, mas, para dizer a verdade, o mero prazer de caminhar com ele, falar sobre assuntos tão bonitos e profundos durante estes anos, e partilhá-lo com aqueles que o leram, valeu a pena. Imagem: Platão. Biblioteca Nueva Acrópolis

Continue lendo

No Centenário de Sophia de Mello Breyner (1919-2004)

Há alguns meses cumpriu-se o centenário do nascimento da ilustre poetisa Sophia de Mello Breyner, o seu busto contempla desde o Miradouro de Santa Graça em Lisboa, a paisagem urbana e o rio que contemplou da sua casa a autora de “A Menina do Mar”, e os seus restos mortais repousam no Panteão Nacional raríssimo privilégio concedido a poucos. Imagem: Pedras na praia da pedra furada. Wikimedia Commons

Continue lendo

Estação Onze, Um Duro Futuro Apocalíptico, mas Esperançado

Quando lemos o Apocalipse (o de São João, que é o mais conhecido, pois há outros apócrifos) a nossa imaginação fica vivamente impressionada pelas cenas de devastação, como a dos quatro cavaleiros da fome, da peste, da guerra e da morte. Não sabemos, tal é a nossa pequenez, se nos chega a consolar a descrição de Jerusalém Celeste e da pedrinha branca com o nome secreto de cada um, entregue aos vencedores. Pois sem entender que nas grandes tragédias da natureza ou das sociedades vive o grande poder renovador da mesma vida, deixamo-nos atordoar apenas pela visão da dor, do terrível, sem capacidade de ver mais além.

Continue lendo

As Formas de Arte e os Caminhos do Belo:
As Visões de R. Wagner e E. A. Poe

José Antunes 2 781

Desde que o ser humano tem consciência de si mesmo, desde que deixou de caminhar olhando apenas para o chão vendo onde colocava os pés e ergueu o olhar para as nuvens ou estrelas, desde esse momento inicial, que todas as Tradições associam com a descida da consciência, a presença do Belo terá acompanhado a estrada da Vida que é a evolução humana.

Continue lendo

Apresentação do Livro O Templário do Rei, de António Balcão Vicente

José Carlos Fernández 1 1040

O ser humano necessita conhecer a sua história, para deste modo reconhecer-se a si mesmo e à sua própria vontade de ser. E necessita também saber que está a construir o futuro, ou seja, que está a fazer história, que está a escrever no Livro da Vida em traços indeléveis, pois tudo aquilo que não se escreva assim é devorado, como dizia Baltasar Gracían no seu Criticón, na Caverna do Nada.

Continue lendo

Pedra Filosofal

José Carlos Fernández 2 1549

Aos mais jovens o título deste artigo evocar-lhes-á a obra de Harry Potter, o primeiro da heptalogia editado em 1997. A outros, aficionados das ciências herméticas, o Lapis Philosophorum, o fim e o segredo da Alquimia, capaz de transformar o chumbo em ouro e de com ela obter o elixir da imortalidade ou da eterna juventude.

Continue lendo

Inefável Tintin

Jorge Angel Livraga 1 586

Tintin é essencialmente bom, valente e generoso. Não teme a solidão, nem o aborrece a companhia. A sua vida é uma aventura permanente, sem contudo deixar de ter uma certa tranquilidade aristocrática e de uma serena contemplação. As doenças, os ferimentos passam por ele, mas não o abatem, pois Tintin… tal como aquele que levamos dentro da alma, é eternamente jovem e o tempo não o afecta.

Continue lendo