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Arte

O Herói de Mil Faces. Primeira Parte

Alfredo Aguilar 0 534

Este é o título de uma obra publicada em 1949 pelo mitólogo, escritor e professor americano Joseph Campbell, onde analisa a partir da mitologia comparada a estrutura mitológica da jornada do herói arquetípico que podemos encontrar nos mitos de diferentes povos ao longo da história da humanidade. O professor Campbell constata que as narrativas mitológicas geralmente compartilham uma estrutura fundamental, o que ele chamará de monomito ou jornada do herói, que poderia ser resumida da seguinte forma: “O herói começa a sua aventura a partir do mundo conhecido, recebe o chamado à aventura que o leva a uma região de maravilhas sobrenaturais, ele enfrenta forças fabulosas num caminho de provações, onde evidentemente será testado e em algumas ocasiões receberá a ajuda de um aliado, e obtém uma vitória decisiva. Então o herói retorna da sua misteriosa aventura com a capacidade de conceder dons a seus irmãos.” Este processo tem fundamentalmente três etapas: a partida ou separação, que é quando o herói parte perante o chamado à aventura (ou à desventura conforme o caso); a iniciação, isto é, as aventuras que o testarão ao longo do caminho; e o regresso, a volta a casa e ao mundo quotidiano, transformado pela experiência.

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Malcolm X na Concepção Filosófica Freireana. Análise Cinematográfica para o Conceito filosófico

Yuri Raposo 1 352

Malcolm X é um filme que aborda a vida de um sujeito, repleta de acontecimentos que marcam uma linha cronológica similar à grande parte dos afro-americanos oprimidos socialmente no século XX. A mensagem do mesmo é mantida viva e o filme foi de grande contribuição para incentivar a importância da luta por direitos iguais, compensação histórica e maneiras de se trilhar o futuro. Durante todo o enredo do filme, encontram-se cenas icónicas, marcadas na história, sendo revividas pelo ator que o interpretou, Denzel Washington, que expõe tamanha responsabilidade. “Não era fácil e, ficar de pé em frente de 200, 2000 pessoas, fazendo os discursos, sentindo e tentando despertar nas pessoas com o que você diz, criando esperança que aconteça, é algo intimidante” (DENZEL…,2013). Mas, também, alguns acontecimentos foram marcantes por trás das câmaras, como: escolha de direção, conduta do elenco e orçamentos. Para tal, era um grande desafio a ser trilhado. Foi filmado no ano de 1991, mas acabou por ser lançado apenas no ano de 1992, após o diretor notar que necessitaria de um orçamento maior do que o liberado pelo estúdio, assim, o mesmo arrecadou dinheiro “como presentes” de diversos artistas e atletas afro-americanos para a conclusão do projeto. Dentro desta obra riquíssima de aprendizados e culturas, foi realizado um filtro para que num momento chave, viesse a convergir com a proposta do filósofo e professor, Paulo Freire. Esse momento é o da prisão de Malcolm, no filme, e está em 59:00 minutos de 3:35 (Malcolm X, 1992) e na autobiografia Chapter 9: Caught (X; HALEY, 2015). O ato que é posto em destaque, é o fato de Malcolm ser tocado pela educação justamente quando encontra-se fora do seu meio comum, na sua privação de liberdade e, principalmente, quando percebe que é através da educação que conseguirá libertar, a si e ao seu povo, da opressão social.

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Um Método Perigoso

alfredo-aguilar 0 438

Este é um filme de 2011 que trata das complicadas relações pessoais entre Carl Jung, fundador da psicologia analítica, Sigmund Freud, fundador da psicanálise, e Sabine Spielrein, primeira paciente de Jung e depois ela mesma médica e uma das primeiras psicanalistas. É um drama de época, apresentado no período anterior à Primeira Guerra Mundial, começando em 1904, quando Sabine Spielrein é internada como paciente de Jung enquanto sofria um ataque psicótico. O filme, dirigido por David Cronenberg, foi realizado entre maio e julho de 2010 em Colónia, com exteriores em Viena. É protagonizado por Michael Fassbender, interpretando Jung; Viggo Mortensen, no papel de Freud; e Kiera Knightley como Sabine Spielrein. Devemos acrescentar Vincent Cassel no papel de Otto Gross, um anarquista psicanalista austríaco; e Sarah Gadon, atriz canadiana, como Emma, esposa de Jung.

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A Quinta Sinfonia de Tchaikovsky, um Hino de Esperança

Durante o cerco alemão de Leningrado na Segunda Guerra Mundial, os governantes russos ordenaram que a Orquestra de Rádio da cidade tocasse esta Quinta Sinfonia de Tchaikovsky para levantar o moral dos sitiados. Da mesma maneira, em Londres esta peça musical foi transmitida na noite de 20 de Outubro de 1941. Assim que começou o segundo movimento, as bombas começaram a cair na cidade e perto do local onde a estavam a interpretar. A orquestra continuou a tocar até ao final. Esta obra musical teve grande importância durante esta Guerra Mundial porque parece que invoca o Destino e a vitória final através de todas as dificuldades. O tema do Destino ouve-se nas primeiras notas, tocadas por um clarinete, numa comovente melodia e sentimento que impressiona, pela sua beleza e apelo ao mais profundo do ser. E o desenvolvimento da sinfonia é um claro “per aspera ad Astra” (através dificuldades até às estrelas) até se tornar numa marcha triunfante de apoteose, no último movimento.

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A Linguagem das Pinturas Rupestres

Até agora, a crença mais difundida sobre a razão de ser das pinturas rupestres é que se tratava de uma espécie de magia simpática, uma ideia desenvolvida por James George Frazer nos finais do século XIX que foi rapidamente abraçada pela comunidade científica. Esse conceito assumia, basicamente, que as pinturas eram usadas pelos caçadores para invocar ritualmente as forças da natureza, e que estas lhes proporcionaram uma caça bem-sucedida. E. H. Gombrich, na sua obra A História da Arte, refere-se a estas expressões pictóricas dizendo: «É provável que sejam vestígios daquela crença universal no poder de criação das imagens. Por outras palavras: aqueles caçadores primitivos acreditavam que simplesmente pintando as suas presas, talvez com as suas lanças ou machados de pedra, os animais reais sucumbiriam também ao seu poder.

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O Mito de Osíris e o Rei Leão: as Personagens e o seu Simbolismo

Álvaro Soffietti 0 1983

Estudar a mitologia e o simbolismo por trás do Mito de Osíris é entender o lugar natural do ser humano no Cosmos. Os mitos e ensinamentos arquetípicos fazem-nos refletir e ajudam-nos a explicar como agir no mundo manifestado, do qual falava Platão. Neste mundo, onde as coisas existem, não temos a capacidade de captar o bem ou o mal absolutos, mas podemos nos aproximar e nos afastar relativamente, tanto para um quanto para o outro. Neste mundo, ambos os extremos fazem parte da ilusão da Deusa Maia. E embora estejamos sempre entre os extremos, o filósofo procura descobrir o real neste mundo ilusório. A sabedoria oculta no mito de Osíris permite aproximar-nos do sagrado, usando a inteligência para ver nas entrelinhas os seus ensinamentos. Através das personagens e seus simbolismos, é possível ligar-se com o atemporal, aqueles ensinamentos deixados por outras civilizações para nos mostrar a forma em que o ser humano deve estar ligado à natureza e assim começar a caminhar retamente.

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Conectando com as Musas

Mirta Lopez 0 658

O célebre aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo… e conhecerás o Universo e os Deuses” é o alicerce que nos leva a conceber a nossa verdadeira identidade, o que implica a capacidade de recordar experiências essenciais. Deste modo, na sua lógica conta com que as famosas Musas, filhas de Mnemosine, a memória, inspirem o mundo dos seres humanos como a sua mãe faz no mundo dos Seres Divinos. Como teria dito o admirado Platão, nós, seres humanos, também precisamos recordar a nossa origem divina para não nos perdermos neste mundo que nos rodeia. Hesíodo é quem melhor as descreve e que lhes concede o poder do omniconhecimento. Fá-las indispensáveis para quem quer saber ou fazer algo de real importância. Cantam o passado, presente e futuro para transmitir o conhecimento e abrir uma comunicação entre nós e o mais elevado da Natureza; ou seja, as artes que representam inspiram a estabelecer um elo entre a terra e o céu, entre nós e os deuses.

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Da Poesia e do que É um Poeta

Antony Capitão 0 600

A poesia é um mistério, uma clarividência, uma sombra e uma ascese – é um degrau, uma tentativa, um exercício. Toda a verdadeira poesia deixa em nós um toque muito leve de algo longínquo e esquecido, de algo que se sente e se sabe e quase não se expressa; é uma pegada angelical que marca o mundo com o fogo da mais alta Beleza que lhe imprime. O que haverá no som e no ritmo que tanto parece extasiar-nos como elevar-nos aos poucos a regiões mais claras e luminosas? O poeta, claro está, é uma espécie de sacerdote; por vezes um pontífice desarranjado, com um grande apelo claro e sem clareza.

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O Zodíaco de Johfra: Leão

Eva Garda 0 547

Nesta quarta parte, continuaremos a analisar as lâminas do Zodíaco por Johfra Bosschart (1919-1998). Desta vez, o signo de Leão. Recordemos que nas obras deste artista podemos encontrar ideias do neoplatonismo, passagens bíblicas, cabala judaica, astrologia hermética, gnosticismo, magia e mitologia. O Leão é um signo de Fogo, associado às características deste elemento: extroversão, energia, entusiasmo, iniciativa e auto-suficiência. O regente de Leão é o Sol, centro do Sistema Solar, e é por isso que aqueles nascidos sob este signo são geralmente egocêntricos. Tal como a ideia que formamos do leão pelos relatos e mitos, aquele nascido sob este signo é geralmente forte, corajoso, elegante, nobre, mas também ávido pelo poder. Não aceita rivais ao seu redor, muito menos outro Leão, consciente, como ele, do seu próprio valor. É bom na posição que ocupa na sociedade, tanto no trabalho como em casa, mas precisa de ser aquele que toma as rédeas, porque caso contrário, podem ocorrer confrontos.

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Além da Vida

Alfredo Aguilar 0 449

Este é um filme de 2010 que narra três histórias em paralelo relacionadas de alguma maneira com o além. O primeiro caso é o de um homem com o dom de comunicar com os mortos através do contacto físico com uma pessoa próxima do falecido; o segundo é o de uma mulher que sobrevive a uma experiência de quase-morte durante um tsunami e o terceiro o de um menino que perde o seu irmão gémeo num acidente de trânsito e tem uma necessidade urgente de comunicar com ele. A primeira vez que vi este filme, na televisão, já tinha começado e eu não sabia do que tratava o enredo, mas, como um bom cinéfilo, quando reconheci alguns actores disse “vamos ver”. No primeiro dos três casos, o homem com dotes mediúnicos é interpretado por Matt Damon, e a acção decorre em São Francisco, nos Estados Unidos. Por sua vez, a mulher que sobrevive ao tsunami é francesa, trabalha para a televisão e estava numa missão na zona do Oceano Índico, interpretada aqui pela actriz belga Cécile de France. Entretanto, a história relacionada com os meninos gémeos, interpretados pelos irmãos gémeos Frankie e George McLaren, passa-se em Londres.

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Os Outros

Juan Adrada 0 297

As duas primeiras realizações de Alejandro Amenábar – Tesis (Morte ao vivo) e Abre los ojos (Vanilla Sky) – pressagiavam, apesar dos seus evidentes vazios e carências, uma carreira de êxitos a um jovem e imaginativo realizador que apoiava no mistério e na fantasia um mundo pessoal pleno de matizes e singularidades. O êxito de um primeiro filme é facilmente predizível. Geralmente é uma obra muito pessoal sobre a qual se esteve a trabalhar durante muito tempo, por vezes desde os anos de estudante e que foi repensada uma e outra vez até ao mínimo detalhe. Tal parecia ser o caso de Tesis, uma realização quase académica que bebia das fontes do suspense hitchconiano. Mas a coisa muda quando o novo realizador tem que submeter-se por inteiro às exigências e aos ritmos da indústria cinematográfica e ainda assim, continuar com o máximo empenho.

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O livro de Poesia «Movimento Perpétuo», de António Gedeão

Os Físicos e os Químicos tentam nos convencer, desde a lei exata de Lavoiser (nada é criado ou destruído, apenas transformado), que é impossível o movimento perpétuo. No entanto, a vida mostra-nos em todos os momentos o que sim é possível, precisamente na continuidade e dinamismo desta transformação que nunca pára, do infinitamente grande ao infinitamente pequeno (pois a mesma ondulação quântica é incessante).

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Código da Vinci da Vida Real?

Foi há quase um ano que o agora denominado “Ritratto di Lecco” (outrora “Cristo di Lecco”) começou a ser centro de uma bateria de análises desde o município lombardo de mesmo nome, provocando toda sorte de reações no meio acadêmico o quanto se pode imaginar. Este pedaço de papel, medindo 24 x 16,8 cm e 0,02 cm de espessura, com a imagem do rosto em ¾ de um homem de cabelos e barba longos, parece fazer alusão à figura clássica do Cristo, mas o curioso é que também nos leva à grandeza e dignidade da mítica “Mona Lisa”. De fato, tanto o ângulo quanto a firmeza da personalidade transmitidos no olhar daquela figura ao contemplador nos farão lembrar o famoso autorretrato de Turim de Leonardo da Vinci.

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A Arte de Maria Bethânia

Ricardo Santos 1 635

A música trabalha com potências. Toda a música. Porém, a música erudita e, nesta, sobretudo a instrumental, quase que totalmente, porque abstrai da voz e do seu fonologocentrismo. Ainda que, no caso do canto lírico, a técnica vocal que este implica seja, desde logo, já uma das formas em que a voz se deixa diluir para além do logocentrismo. A arte do canto lírico seria a do contorno do logocentrismo, na exacta medida da formação artística que expressa. Se é exacto que o canto lírico é uma arte derivada da poética como potência da alma, esta potência joga-se ela-mesma no limiar aberto pela fonética própria a essa arte. Talvez a técnica do pianíssimo de Montserrat Caballé fosse aqui absolutamente paradigmática. É nesta medida que a música devém potente.

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Sobre arte… Uma Singela Parte!

«Se no Musée du Louvre me impressionou o quadro “La jeune martyre” (1855), de Hippolyte De La Roche, no Ashmolean Museum impressionou-me muito mais o “Landscape with fishermen at the mouth of a river” (1937), de Georges Michel. Não só pela técnica aplicada, pois essa é, simplesmente, impressionante!

Sem dúvida que a manipulação pródiga da pintura do artista consegue manipular mesmo uma visão crua de observador. Eu diria que não escolhi a obra, mas que a obra me escolheu a mim. Mal a avistei fiquei presa: ao seu volume e conteúdo, à densidade da sua cor, à profundidade da sua técnica.

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Inteligência Estética

Sabine Leitner 0 509

Todos nós, provavelmente, ouvimos falar de diferentes tipos de inteligência: corporal-cinestésica, verbal, lógico-matemática e, ultimamente, também de inteligência emocional e até espiritual. Recentemente deparei-me com o termo inteligência estética e…

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O Jardim de Émile Zola

Na verdade, o nome do romance em que o protagonista é um jardim incrível é ” O Crime do Padre Mouret “. Émile Zola (1840-1902), seu autor, é considerado um dos pais do naturalismo, que viria a espalhar-se pela Europa, e foi decisivo, por exemplo num Galdós em Espanha ou num Eça de Queirós em Portugal. A descrição é detalhada, realista, natural, até crua, embora sem ficar distorcida como nos espelhos grotescos do Valle Inclán.

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A Música de John Williams

Alfredo Aguilar 0 577

Nos primeiros meses de 2020, John Williams dirigiu um concerto com a sua própria música em Viena, com a Orquestra Filarmónica da cidade, onde teve como solista convidada a violinista Anne-Sophia Mutter. Àquela data, Williams tinha 88 anos recém cumpridos, um mérito acrescido, a meu ver, dado o esforço que representa dirigir um concerto em qualquer idade. Aquele concerto, que me apressei a gravar, teve para mim um acrescido prazer visual por ser pré-pandemia, quer dizer que o teatro estava completamente cheio e ninguém necessitava ainda das omnipresentes máscaras (tapa bocas ou cobre bocas noutros países) de que ainda não podemos prescindir em 2022, quando escrevo.

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Dunquerque. Viver ou Sobreviver?

Gilad Sommer 0 591

À medida que os custos de produção sobem, tanto na televisão como no cinema, parece que menos profundos vão ficando os conteúdos. Muitos filmes e programas televisivos são acerca de nada, tecnicamente excelentes, mas olvidáveis. Não é o caso de Dunkirk, o filme histórico de Christopher Nolan de 2017, que faz pensar sobre a condição humana. A sua abordagem minimalista, com uma técnica quase perfeita, dá significado a cada som, cada palavra, cada gesto, tal como na escuridão cada pequena luz faz a diferença.

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Nicolas Poussin, a Antiguidade Impõe a sua Marca na Mensagem Cristã

Didier Lafargue 0 460

Nicolas Poussin (1594-1665), pintor na corte de Luís XIII em 1640-1642, é um grande representante da arte clássica francesa do século XVII. Fascinado pela Itália, ele passou grande parte da sua vida em Roma. Na península, adquiriu esta sabedoria da Antiguidade que exprimirá nas suas obras; o estoicismo, em particular, fascinou-o verdadeiramente. A sabedoria foi reforçada pelas leituras de Montaigne, em casa de quem ele estava muito presente. Todos os seus quadros testemunham uma fé intelectualizada e perfeitamente serena. Se Philippe de Champaigne, seu contemporâneo, é um pintor místico, Poussin é um pintor filósofo, pois quer esclarecer intelectualmente a religião através da sabedoria antiga, da qual o cristianismo é o herdeiro.

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Sócrates, de Roberto Rossellini

José Carlos Fernández 0 719

É incrível que, apesar do interesse que despertam, não se façam mais filmes desta natureza, sobre personagens ilustres cujo exemplo move a admiração e o desejo de emular as ações nobres e virtuosas; e sim sobre todo tipo de depravados, assassinos e mafiosos, cujo sucesso é garantido quiçá pela mórbida característica da nossa parte bestial. Já dissemos noutro artigo desta série como o filme Confúcio, superprodução chinesa da mais alta qualidade, apenas entrou no circuito comercial de cinemas e vídeos.

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Franco Battiato. Um Místico Contemporâneo. Parte II

Antony Capitão 0 586

Quando confrontado com o seu percurso, costumava dizer que começou pela filosofia indiana, e que entretanto encontrou Gurdieff, que impactou profundamente a sua vida. De forma muito resumida, podemos dizer que Battiato herdou a ideia da necessidade de um centro de gravidade permanente (fez da ideia uma das suas músicas mais conhecidas) , de harmonizar diferentes centros de uma falsa personalidade afim de dar voz e espaço a uma identidade mais profunda, identidade essa reflectida em todas as Tradições da Humanidade e que portanto faz parte de uma herança e conhecimentos universais.

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Franco Battiato. Um Místico Contemporâneo. Parte I

Antony Capitão 0 521

Há uma Itália que conhecemos e uma Itália profundamente desconhecida entre nós, em Portugal. Por quanto o inglês seja a língua universal hoje em dia, há uma magia muito própria em conhecer outros idiomas, pois estes abrem-nos novos horizontes para toda uma vida… e dão-nos possibilidades de enriquecimento da alma que talvez nem suspeitássemos. Podemos traduzir poesia, mas nunca teremos a mesma música; podemos ver a tradução de uma letra, mas nunca terá o mesmo impacto de sabermos os contornos de uma palavra precisa numa dada língua e cultura – e assim perdemos os picos de Beleza de um outro país.

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O Concerto

Alfredo Aguilar 0 472

“O Concerto” é um filme de 2009 dirigido por Radu Mihaileanu, um realizador romeno radicado em França. Nele nos apresenta em tom de comédia, dramática e emotiva, pequenas e grandes tragédias humanas com o mundo da música clássica como pano de fundo. A história gira em torno de um célebre maestro da Orquestra Bolshoi de Moscovo que caiu em desgraça, juntamente com toda a sua orquestra, por se recusar a fazer parte de uma purga de músicos judeus no final dos anos 70.

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Sabedoria Egípcia Escondida entre Hieróglifos e Papiros

Cláudia Barros 0 1719

Conhecemos o termo sophia desde os tempos da Grécia Antiga, e já na altura, o conceito conjugava em si quatro premissas basilares: conhecimento, ação, saber e virtude. Mas mais do que um conceito grego, a “sabedoria” traduz uma forma de conduta, de atuar e de agir de acordo com a ética. Atuar sabiamente era essencial. Possuir esta capacidade era um dom que equivalia a ter conhecimento de todas as coisas e a aplicá-las da melhor maneira, podendo-se assim contemplar a verdade camuflada do Mundo.

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As Ilustrações de William Blake da Divina Comédia de Dante

José Carlos Fernández 0 1154

Todos reconhecemos em Dante (1265-1321) o verdadeiro precursor do Renascimento, com outros autores do chamado Trezentos (século XIV) que o aceitariam como Mestre, Petrarca e Boccaccio, por exemplo, e com Florença como centro de irradiação (apesar das críticas feitas por Dante, um dos seus filhos favoritos, a esta cidade, devido a convulsões políticas e morais).

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Luz de Lisboa

José Carlos Fernández 0 779

Os cineastas vêm a Lisboa para filmar, porque sabem desta luz feiticeira. Assim como os publicitários, sendo usada para publicitar interesses menos sagrados do que ela. Os pintores, e os fotógrafos, querem desvendar os seus mistérios fazendo uso dos seus pincéis e do olho da sua câmara, os poetas dedicam-lhe versos e os escritores não se esquecem de incluí-la nos seus relatos e descrições, porque é uma das características mais distintas desta cidade. Os cientistas investigam os seus diferentes raios e frequências, estudam os ventos que formam e limpam o ar, as mini partículas em suspensão que a refletem e dispersam, o efeito diáfano das águas do Tejo que a devolve na face brilhante da sua linfa.

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