Pressione ESC para fechar

José Carlos Fernández

Diretor da Nova Acrópole em Portugal

Símbolos do Herói Arturiano Tristão de Leonis

José Carlos Fernández 0 110

As lendas desta personagem histórica e literária, Tristão, surgem no norte da França e na antiga Britânia, com ligações ao País de Gales. Lendas célticas, que como a de Artur, mais tarde se tornam cavaleirescas, espalhando-se por toda a Europa durante a Idade Média nesta “mitologia” que permitiu dar vida e alma ao Ideal Cavaleiresco. Lembremo-nos que estes são tempos em que, como disse Quixote, “Cavalaria Andante é Religião”. E o exemplo das damas e cavaleiros é a melhor expressão, o modelo do ser humano, uma cristalização, com os seus direitos, deveres, ideais e valores, da vontade do “Rei dos Reis”. Um modo viril, baseado em ações e não apenas orações, de seguir o caminho de Deus, como na Futuwah islâmica ou nos mistérios de Mitra mil anos antes.

Continue lendo

O livro de Poesia «Movimento Perpétuo», de António Gedeão

Os Físicos e os Químicos tentam nos convencer, desde a lei exata de Lavoiser (nada é criado ou destruído, apenas transformado), que é impossível o movimento perpétuo. No entanto, a vida mostra-nos em todos os momentos o que sim é possível, precisamente na continuidade e dinamismo desta transformação que nunca pára, do infinitamente grande ao infinitamente pequeno (pois a mesma ondulação quântica é incessante).

Continue lendo

Santo Agostinho e a sua Cidade Celeste

O saque de Roma pelos visigodos no ano 410 chocou o mundo antigo. As pessoas atribuíam-no a um castigo divino por terem sucumbido às doutrinas alucinantes, sectárias e excludentes dos cristãos, e por deixarem de render culto aos velhos Deuses. Seja isto certo ou não, a verdade é que a nova religião desfez completamente o tecido social e institucional do Império Romano com as suas fantasias do iminente Fim do Mundo e a rejeição dos antigos valores da Concórdia, do Comprometimento, da Fidelidade, do Culto da Pátria, etc., etc. Que sociedade se pode manter de pé crendo que dentro de alguns anos vamos presenciar o Fim dos Tempos? Como trabalhar assim para o futuro? E é evidente que quem mais vai sofrer esta ausência de futuro são os que vêm depois, os filhos e os netos que se vêm perante o vazio, com as instituições públicas jurídicas, educativas, militares, etc. em ruínas e sem nada para substituí-las.

Continue lendo

Os Limites do Nosso Telemóvel

Há muitos anos atrás fiz o Caminho de Santiago e recordo o vínculo tão especial que criei com o bastão que me ajudava a avançar passo a passo, dia após dia, horizonte a horizonte, sempre na direção do pôr do sol. É como se o bastão estivesse a ganhar, pouco a pouco vida, como se pudesse ter amizade com ele, como se se tornasse um elemento mágico, talismã por si só, sem que a vontade mediara nisso. Lembro-me de ter pensado que se isto acontecia com um bastão de peregrino, que seria com uma espada, que ao cravá-la no chão transformava o seu punho em cruz de oração. E não uma espada de “adorno”, mas uma espada de verdade, como as daqueles tempos em que a vida e a morte dormiam no seu metal. Não é estranho que os ibéricos chamaram as suas falcatas de “Amiga”, e que os almogávares as golpearam nas pedras antes da batalha gritando o seu “desperta ferro”, ou que os cavaleiros gravaram na sua lamina um nome mágico ou um lema. Não eram um objeto simples, elas eram uma aliada, uma presença numinosa na selva do mundo. Idéntica experiência tinham os artesãos com as suas ferramentas, que, como diziam os egípcios, são, para quem trabalha, a “bênção de Deus”.

Continue lendo

Um Ensinamento Mistérico no Salmo 110

José Carlos Fernández 0 474

Um dos momentos musicais mais sublimes da Oratória de Natal de Saint-Säens é quando no oitavo movimento, a voz do tenor se ergue sobre as ondulações musicais e cintilações de prata do órgão e harpa, pronunciando “Tecum Principio”. Ainda desconhecendo o significado destas palavras sentimos que a alma estremece diante delas, e mais quando uma voz feminina (soprano) responde, repetindo o mesmo tema que se entrelaça com a primeira, e com uma terceira de um barítono.

Continue lendo

A Lenda dos Sete Adormecidos de Éfeso

José Carlos Fernández 0 563

Há algum tempo tive o privilégio de visitar em Éfeso [1], na Turquia, a caverna aludida pela “Lenda dos Sete Adormecidos”. A diferença da magnífica e monumental cidade jónia, percorrida por rios de milhares de turistas, quase não havia ninguém aqui, já que esta lenda é pouco conhecida pelo cidadão comum, a menos que haja um interesse religioso muito definido, pouco valor é dado a ela.

Continue lendo

Sócrates, de Roberto Rossellini

José Carlos Fernández 0 372

É incrível que, apesar do interesse que despertam, não se façam mais filmes desta natureza, sobre personagens ilustres cujo exemplo move a admiração e o desejo de emular as ações nobres e virtuosas; e sim sobre todo tipo de depravados, assassinos e mafiosos, cujo sucesso é garantido quiçá pela mórbida característica da nossa parte bestial. Já dissemos noutro artigo desta série como o filme Confúcio, superprodução chinesa da mais alta qualidade, apenas entrou no circuito comercial de cinemas e vídeos.

Continue lendo

Séneca e a Educação dos Príncipes

José Carlos Fernández 0 616

Há muitos anos, numa aula com o professor Jorge Ángel Livraga (1930-1991), surgiu uma questão sobre a natureza do programa escolástico que seguíamos na Nova Acrópole, que não é só intelectual, mas também de desenvolvimento de valores morais. E ele respondeu, com toda a naturalidade, “claro, porque vós (…) estão a receber uma educação de príncipes”. Essa afirmação, com a espontaneidade e total convicção com que o disse, impressionou-me vivamente…

Continue lendo

O Ramo Rebelde do Cipreste

José Carlos Fernández 0 297

Se há uma árvore que nos exalta com a sua verticalidade é, sem dúvida, o cipreste. Guardiães nos campos, e dando uma aura e perfume de eternidade nos jardins em que sempre reinam, a sua firmeza fá-los semelhantes a uma chama verde, ou a uma espada no alto. Silenciosos, solenes, amigos e confidentes dos tristes e meditativos, os gregos consagraram-no a Apolo, talvez por causa de sua tendência para o alto e para a unidade, erguidos para o céu fazendo convergir na ponta todo o sereno dinamismo da sua força vegetal, sem tendências laterais. Os seus braços ou galhos não se abrem querendo abraçar o horizonte e a luz. Não. Elevam-se, todos juntos, em apertado abraço, como um feixe de mistério e, raramente, parecem dispor-se em espiral ascendente junto a alguma torre de uma igreja, quase como que desafiando-o com a sua crescente perenidade.

Continue lendo

Os Desenhos de Botticelli da Divina Comédia

José Carlos Fernández 0 658

Qualquer um que tenha lido a Divina Comédia de Dante sabe que esta é uma Viagem da Alma, da de Dante, ou de cada um de nós, ou seja, de toda a Humanidade. A Alma encontra-se com paisagens de desolação, de negação do mais sagrado no Inferno, e também de esperança e de redenção na Montanha do Purgatório, e com momentos de beatitude e divina compreensão, mesmo que seja sonho nada mais, nos diferentes céus do Paraíso.

Continue lendo

As Ilustrações de William Blake da Divina Comédia de Dante

José Carlos Fernández 0 569

Todos reconhecemos em Dante (1265-1321) o verdadeiro precursor do Renascimento, com outros autores do chamado Trezentos (século XIV) que o aceitariam como Mestre, Petrarca e Boccaccio, por exemplo, e com Florença como centro de irradiação (apesar das críticas feitas por Dante, um dos seus filhos favoritos, a esta cidade, devido a convulsões políticas e morais).

Continue lendo

Luz de Lisboa

José Carlos Fernández 0 493

Os cineastas vêm a Lisboa para filmar, porque sabem desta luz feiticeira. Assim como os publicitários, sendo usada para publicitar interesses menos sagrados do que ela. Os pintores, e os fotógrafos, querem desvendar os seus mistérios fazendo uso dos seus pincéis e do olho da sua câmara, os poetas dedicam-lhe versos e os escritores não se esquecem de incluí-la nos seus relatos e descrições, porque é uma das características mais distintas desta cidade. Os cientistas investigam os seus diferentes raios e frequências, estudam os ventos que formam e limpam o ar, as mini partículas em suspensão que a refletem e dispersam, o efeito diáfano das águas do Tejo que a devolve na face brilhante da sua linfa.

Continue lendo

Borges e os Kenningar da Poesia da Islândia

O que é a poesia? Quantas vezes se definiu como sinónimo de magia, mistério, encantamento. Se Pitágoras estabeleceu o par de opostos limitado–ilimitado, e o próprio Anaximandro, outro dos chamados filósofos Pré-Socráticos, mostra que o apeiron (o indefinido, o ilimitado) é princípio (arkhé), causa, fim e indefinível essência, bem poderíamos afirmar que só o limitado e racional é o prosaico, e o seu oposto, o poético, seria o maravilhoso, o admirável, o milagre portanto, o mundo da imaginação que sustém e dá sentido ao que chamamos “realidade”, o prosaico e quotidiano.

Continue lendo

A Morada, de Teresa Cubas Lara

São os versos que despertam na minha imaginação ao ler aqueles que palpitam neste livro de Teresa Cubas Lara, intitulado “A Morada”. Não é o seu primeiro livro, mas mais um elo de ouro numa cadeia de beleza que amamos ao sussurrar os ecos da alma da sua autora, uma peregrina nos caminhos da sabedoria. Outros vieram antes: Maternidade, Procurando um Ideal, Palavras com Asas, Nascer da Luz … e certamente outros já escritos aguardam. Sinto-me honrado pela autora, por juntos estudarmos e juntos recebermos ensinamentos sublimes, juntamente com tantos outros privilegiados, os quais nos sentimos irmãos nessas vivências e aprendizagens.

Continue lendo

A Filosofia da Arte

Uma das situações mais confusas que enfrenta a filosofia académica actual é a dos propósitos da filosofia da arte, ou seja, perante uma obra artística, como um poema, ou uma escultura, ou uma catedral, uma dança ou uma interpretação musical, qual será a missão da filosofia. É o mesmo que perguntar como deve enfrentar o pensamento as questões sobre a beleza. Do pensamento são os limites, as formas, as classificações e as comparações. Da beleza é a experiência, o inexpressável e o espírito subtil que escapa a todas as definições.

Continue lendo

As Quatro Rainhas do Mito Artúrico e a Ascensão da Alma Humana

Trinta anos depois, li novamente, com grande satisfação, o livro de John Steinbeck “Os feitos do Rei Artur e seus nobres cavaleiros”, uma obra infelizmente inacabada e que é um tributo à chamada “Morte de Artur” de Thomas Mallory (1415-1471), livro de referência da literatura inglesa.

No capítulo de Lancelot, este primeiro cavaleiro da Távola Redonda enfrenta uma prova onde deve vencer a magia e as tentações de quatro rainhas. Como Lancelot é o símbolo da alma humana, sendo o cavaleiro mais sublime nesta obra artúrica, as quatro rainhas simbolizam, talvez, as quatro grandes ambições horizontais que arrastam a consciência, fragmentando-a.

Continue lendo

Filosofia do Povo do Sol

Com as palavras deste título, Miguel Ángel Portillo refere-se à profundidade e complexidade do pensamento asteca. Na sua excepcional obra (que já é um clássico sobre este assunto), “Los Antiguos Mexicanos”, através das crónicas e canções mexicanas, mostra que há toda uma filosofia nos seus códices, tradições orais e construções sagradas. Imagem: Huitzilopochtli. Domínio Público

Continue lendo

História Oculta da Espécie Humana

José Carlos Fernández 0 1301

Este livro é, na verdade, a versão resumida de “Arqueologia Proibida”, de Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, de quase mil páginas. Este último, editado em 1993, é talvez, e o futuro o dirá, um dos livros mais importantes do século XX, pelo menos no que diz respeito à revisão histórica, e usando a palavra “revisão” no melhor sentido, ou seja, o da revisão necessária do que foi manipulado, adulterado, intencionalmente ocultado, etc.

Continue lendo

Devemos Honrar o Deus Polvo?

José Carlos Fernández 0 891

Talvez Aristóteles, tão devoto do sistema indutivo, tenha sido influenciado pelas aparências quando chamou o polvo de estúpido, apesar de ter destacado a sua adaptabilidade e capacidade de camuflagem. Claro, um símbolo tem inúmeros matizes, e a falta de sistema ósseo ou equivalente (sendo um molusco), também significa aqueles que não têm princípios, se mimetizam, esperam e depois nos devoram, ou tentam fazê-lo. Imagem: Ânfora do palácio micênico, encontrada na Argolida. Museu Nacional de Arqueologia de Atenas. Creative Commons.

Continue lendo

O Caminho do Guerreiro Pacífico

José Carlos Fernández 0 1504

Os romanos disseram que “se você quer paz, prepare-se para a guerra” (Vix pacis para bellum), e filósofos de todos os tempos enfatizaram que a condição natural do ser humano é a paz, a cooperação, a ajuda mútua, a busca de compreensão, a paciência um com o outro e a concordância. No entanto, as escórias da mente animal tornam impossível essa “conduta correta”, de modo que, em vez de natural, ela torna-se ideal e dificilmente alcançável. Imagem: Dois mestres de Templos de Shaolin. Creative Commons

Continue lendo

Reflexões sobre Videojogos e o Mais Além da Morte

José Carlos Fernández 0 960

Há uns dias vi um documentário da BBC que me impressionou muito . É a história de uma família com um filho, que tem uma doença degenerativa que o impede progressivamente de fazer uso dos músculos, e que vive quase confinado em casa até que morre com 25 anos. Salvo umas amizades familiares que o visitavam de muito em muito tempo, a sua vida social era quase nula. Imagem: Fantasia. Pixabay

Continue lendo

Holocausto Nuclear de Hiroshima e Nagasaki: 75 Anos Depois

José Carlos Fernández 0 568

75 Anos da Vitória sobre o Japão, e do fim da Segunda Guerra Mundial? Não, ninguém pensa nisso. 75 ANOS DO HORROR, do HOLOCAUSTO de ter feito explodir as primeiras bombas atómicas da história sobre a povoação civil de Hiroshima e Nagasaki! E talvez pior ainda, de ter desencadeado uma corrida armamentária que ainda nos pode levar a uma nova Idade da Pedra.

Continue lendo

Adeus, Maestro Abreu

Embora a verdadeira política nunca deva ser desonrada, há prémios que, tendo sido politizados, foram desonrados. Um dos exemplos mais aflitivos disso foi, como todos sabemos, o Prémio Nobel da Paz dado a Obama em 2009, pouco depois de ele ter conquistado a presidência do país mais poderoso da Terra? Imagem: José Antonio Abreu numa projeção de uma palestra TED. Creative Commons

Continue lendo

O Misterioso Sol Central da Doutrina Secreta – O Coração da Nossa Galáxia

Nos livros “Isis sem Véu” de 1877 e “Doutrina Secreta” de 1888 de H.P. Blavatsky (1831-1891) encontramos referências a um misterioso Sol Central e Obscuro de enorme importância na economia do Universo. Imagem: A National Science Foundation e o Event Horizon Telescope contribuem para as primeiras observações do buraco negro no coração da distante galáxia Messier 87. Creative Commons

Continue lendo

No Centenário de Sophia de Mello Breyner (1919-2004)

Há alguns meses cumpriu-se o centenário do nascimento da ilustre poetisa Sophia de Mello Breyner, o seu busto contempla desde o Miradouro de Santa Graça em Lisboa, a paisagem urbana e o rio que contemplou da sua casa a autora de “A Menina do Mar”, e os seus restos mortais repousam no Panteão Nacional raríssimo privilégio concedido a poucos. Imagem: Pedras na praia da pedra furada. Wikimedia Commons

Continue lendo