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José Carlos Fernández

Diretor da Nova Acrópole em Portugal

Os Desenhos de Botticelli da Divina Comédia

Qualquer um que tenha lido a Divina Comédia de Dante sabe que esta é uma Viagem da Alma, da de Dante, ou de cada um de nós, ou seja, de toda a Humanidade. A Alma encontra-se com paisagens de desolação, de negação do mais sagrado no Inferno, e também de esperança e de redenção na Montanha do Purgatório, e com momentos de beatitude e divina compreensão, mesmo que seja sonho nada mais, nos diferentes céus do Paraíso.

Luz de Lisboa

Os cineastas vêm a Lisboa para filmar, porque sabem desta luz feiticeira. Assim como os publicitários, sendo usada para publicitar interesses menos sagrados do que ela. Os pintores, e os fotógrafos, querem desvendar os seus mistérios fazendo uso dos seus pincéis e do olho da sua câmara, os poetas dedicam-lhe versos e os escritores não se esquecem de incluí-la nos seus relatos e descrições, porque é uma das características mais distintas desta cidade. Os cientistas investigam os seus diferentes raios e frequências, estudam os ventos que formam e limpam o ar, as mini partículas em suspensão que a refletem e dispersam, o efeito diáfano das águas do Tejo que a devolve na face brilhante da sua linfa.

Borges e os Kenningar da Poesia da Islândia

O que é a poesia? Quantas vezes se definiu como sinónimo de magia, mistério, encantamento. Se Pitágoras estabeleceu o par de opostos limitado–ilimitado, e o próprio Anaximandro, outro dos chamados filósofos Pré-Socráticos, mostra que o apeiron (o indefinido, o ilimitado) é princípio (arkhé), causa, fim e indefinível essência, bem poderíamos afirmar que só o limitado e racional é o prosaico, e o seu oposto, o poético, seria o maravilhoso, o admirável, o milagre portanto, o mundo da imaginação que sustém e dá sentido ao que chamamos “realidade”, o prosaico e quotidiano.

A Morada, de Teresa Cubas Lara

São os versos que despertam na minha imaginação ao ler aqueles que palpitam neste livro de Teresa Cubas Lara, intitulado “A Morada”. Não é o seu primeiro livro, mas mais um elo de ouro numa cadeia de beleza que amamos ao sussurrar os ecos da alma da sua autora, uma peregrina nos caminhos da sabedoria. Outros vieram antes: Maternidade, Procurando um Ideal, Palavras com Asas, Nascer da Luz … e certamente outros já escritos aguardam. Sinto-me honrado pela autora, por juntos estudarmos e juntos recebermos ensinamentos sublimes, juntamente com tantos outros privilegiados, os quais nos sentimos irmãos nessas vivências e aprendizagens.

A Filosofia da Arte

Uma das situações mais confusas que enfrenta a filosofia académica actual é a dos propósitos da filosofia da arte, ou seja, perante uma obra artística, como um poema, ou uma escultura, ou uma catedral, uma dança ou uma interpretação musical, qual será a missão da filosofia. É o mesmo que perguntar como deve enfrentar o pensamento as questões sobre a beleza. Do pensamento são os limites, as formas, as classificações e as comparações. Da beleza é a experiência, o inexpressável e o espírito subtil que escapa a todas as definições.

As Quatro Rainhas do Mito Artúrico e a Ascensão da Alma Humana

Trinta anos depois, li novamente, com grande satisfação, o livro de John Steinbeck “Os feitos do Rei Artur e seus nobres cavaleiros”, uma obra infelizmente inacabada e que é um tributo à chamada “Morte de Artur” de Thomas Mallory (1415-1471), livro de referência da literatura inglesa.

No capítulo de Lancelot, este primeiro cavaleiro da Távola Redonda enfrenta uma prova onde deve vencer a magia e as tentações de quatro rainhas. Como Lancelot é o símbolo da alma humana, sendo o cavaleiro mais sublime nesta obra artúrica, as quatro rainhas simbolizam, talvez, as quatro grandes ambições horizontais que arrastam a consciência, fragmentando-a.

Filosofia do Povo do Sol

Com as palavras deste título, Miguel Ángel Portillo refere-se à profundidade e complexidade do pensamento asteca. Na sua excepcional obra (que já é um clássico sobre este assunto), “Los Antiguos Mexicanos”, através das crónicas e canções mexicanas, mostra que há toda uma filosofia nos seus códices, tradições orais e construções sagradas. Imagem: Huitzilopochtli. Domínio Público

História Oculta da Espécie Humana

Este livro é, na verdade, a versão resumida de “Arqueologia Proibida”, de Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, de quase mil páginas. Este último, editado em 1993, é talvez, e o futuro o dirá, um dos livros mais importantes do século XX, pelo menos no que diz respeito à revisão histórica, e usando a palavra “revisão” no melhor sentido, ou seja, o da revisão necessária do que foi manipulado, adulterado, intencionalmente ocultado, etc.

Devemos Honrar o Deus Polvo?

Talvez Aristóteles, tão devoto do sistema indutivo, tenha sido influenciado pelas aparências quando chamou o polvo de estúpido, apesar de ter destacado a sua adaptabilidade e capacidade de camuflagem. Claro, um símbolo tem inúmeros matizes, e a falta de sistema ósseo ou equivalente (sendo um molusco), também significa aqueles que não têm princípios, se mimetizam, esperam e depois nos devoram, ou tentam fazê-lo. Imagem: Ânfora do palácio micênico, encontrada na Argolida. Museu Nacional de Arqueologia de Atenas. Creative Commons.

O Caminho do Guerreiro Pacífico

Os romanos disseram que “se você quer paz, prepare-se para a guerra” (Vix pacis para bellum), e filósofos de todos os tempos enfatizaram que a condição natural do ser humano é a paz, a cooperação, a ajuda mútua, a busca de compreensão, a paciência um com o outro e a concordância. No entanto, as escórias da mente animal tornam impossível essa “conduta correta”, de modo que, em vez de natural, ela torna-se ideal e dificilmente alcançável. Imagem: Dois mestres de Templos de Shaolin. Creative Commons

Reflexões sobre Videojogos e o Mais Além da Morte

Há uns dias vi um documentário da BBC que me impressionou muito . É a história de uma família com um filho, que tem uma doença degenerativa que o impede progressivamente de fazer uso dos músculos, e que vive quase confinado em casa até que morre com 25 anos. Salvo umas amizades familiares que o visitavam de muito em muito tempo, a sua vida social era quase nula. Imagem: Fantasia. Pixabay

Holocausto Nuclear de Hiroshima e Nagasaki: 75 Anos Depois

75 Anos da Vitória sobre o Japão, e do fim da Segunda Guerra Mundial? Não, ninguém pensa nisso. 75 ANOS DO HORROR, do HOLOCAUSTO de ter feito explodir as primeiras bombas atómicas da história sobre a povoação civil de Hiroshima e Nagasaki! E talvez pior ainda, de ter desencadeado uma corrida armamentária que ainda nos pode levar a uma nova Idade da Pedra.

Adeus, Maestro Abreu

Embora a verdadeira política nunca deva ser desonrada, há prémios que, tendo sido politizados, foram desonrados. Um dos exemplos mais aflitivos disso foi, como todos sabemos, o Prémio Nobel da Paz dado a Obama em 2009, pouco depois de ele ter conquistado a presidência do país mais poderoso da Terra? Imagem: José Antonio Abreu numa projeção de uma palestra TED. Creative Commons

O Misterioso Sol Central da Doutrina Secreta – O Coração da Nossa Galáxia

Nos livros “Isis sem Véu” de 1877 e “Doutrina Secreta” de 1888 de H.P. Blavatsky (1831-1891) encontramos referências a um misterioso Sol Central e Obscuro de enorme importância na economia do Universo. Imagem: A National Science Foundation e o Event Horizon Telescope contribuem para as primeiras observações do buraco negro no coração da distante galáxia Messier 87. Creative Commons

No Centenário de Sophia de Mello Breyner (1919-2004)

Há alguns meses cumpriu-se o centenário do nascimento da ilustre poetisa Sophia de Mello Breyner, o seu busto contempla desde o Miradouro de Santa Graça em Lisboa, a paisagem urbana e o rio que contemplou da sua casa a autora de “A Menina do Mar”, e os seus restos mortais repousam no Panteão Nacional raríssimo privilégio concedido a poucos. Imagem: Pedras na praia da pedra furada. Wikimedia Commons

Estação Onze, Um Duro Futuro Apocalíptico, mas Esperançado

Quando lemos o Apocalipse (o de São João, que é o mais conhecido, pois há outros apócrifos) a nossa imaginação fica vivamente impressionada pelas cenas de devastação, como a dos quatro cavaleiros da fome, da peste, da guerra e da morte. Não sabemos, tal é a nossa pequenez, se nos chega a consolar a descrição de Jerusalém Celeste e da pedrinha branca com o nome secreto de cada um, entregue aos vencedores. Pois sem entender que nas grandes tragédias da natureza ou das sociedades vive o grande poder renovador da mesma vida, deixamo-nos atordoar apenas pela visão da dor, do terrível, sem capacidade de ver mais além.

A Carta do Adeus de Ibn Bajja (Avempace), o Filósofo Português do Islão (Primeira parte)

Ibn Bajja é um dos sábios que mais influenciaram as linhas e direções do pensamento islâmico, primeiro no século XI, e depois durante toda a Idade Média. Apresenta-se como um filósofo; mas ao modo pré-socrático, manifestando um amplo saber em todas as ciências e artes. Na sua grandeza de conhecimento e no seu exemplo de vida descobrimos um Iniciado nos Mistérios. Pois são eles, os Iniciados, e não outros, as forças ocultas que fazem marchar a História em direção a um Ideal de Justiça e de Concórdia; ao reencontro harmonioso e frutífero de todos os seres humanos, numa união divina com a natureza.

Provas Científicas da Homeopatia

Quando Galileu através do primeiro telescópio, descobriu as crateras lunares, as órbitas de Vénus e os satélites de Júpiter, o mundo medieval entrou, de facto, em colapso. Nas suas ideias, o domínio eclesiástico e inquisitorial foi cedendo face às novas evidências. As sementes da verdade cresciam lenta, invariável e poderosamente nas consciências abertas de uma nova geração.

Ciência e Dignidade

Quando e porquê a ciência e a filosofia se separaram? Os filósofos da ciência não conseguem situar, claramente, o momento de início dessa separação, sobretudo quando surgem, ao longo da história e até hoje, grandes cientistas que também se atreveram com a filosofia.

Necessidade de Vínculos Humanos

A pandemia dos telefones móveis, e a sua família tecnotrónica, como antes o fizeram os computadores e ainda antes a televisão, por não encontrarmos a medida e domínio do seu uso, arrasta-nos para esta solidão, para este individualismo envenenado, cada um em suas fantasias oníricas. Com relações que não são, com vínculos que não o são, com amizades que jamais o serão, mendigando um “eu gosto” ou simplesmente um novo clique. Sem silêncios e profundidade para criar algo realmente válido, sem conversas que nos enriquecem verdadeiramente e devolvem o sentido da vida, sem uma moderação ou justa apreciação que nos previna de cair em redes ou garras de qualquer pseudo guru estúpido mas aproveitado, ou numa crença fossilizada inútil, ou em qualquer tipo de aberrações que hoje campeiam livremente, como cavaleiros de um apocalipse moral e portanto social, espectros que vão deformando as almas e arrebatando-lhes a sua dignidade humana.

Apresentação do Livro O Templário do Rei, de António Balcão Vicente

O ser humano necessita conhecer a sua história, para deste modo reconhecer-se a si mesmo e à sua própria vontade de ser. E necessita também saber que está a construir o futuro, ou seja, que está a fazer história, que está a escrever no Livro da Vida em traços indeléveis, pois tudo aquilo que não se escreva assim é devorado, como dizia Baltasar Gracían no seu Criticón, na Caverna do Nada.

Pedra Filosofal

Aos mais jovens o título deste artigo evocar-lhes-á a obra de Harry Potter, o primeiro da heptalogia editado em 1997. A outros, aficionados das ciências herméticas, o Lapis Philosophorum, o fim e o segredo da Alquimia, capaz de transformar o chumbo em ouro e de com ela obter o elixir da imortalidade ou da eterna juventude.

O canto de Ullikummi

Talvez nunca tenha sido tão claro como hoje, com as comunicações globais e o conhecimento atual da história, até que ponto a conduta das pessoas é governada pelos mitos. Outrora, os mitos eram narrações sagradas, as ações dos Deuses in illo tempore, ou seja, num tempo sem tempo, pois mais que sucessivo, era alfa e ómega da realidade, o arkhé ou origem imaculada de tudo o que acontecia.