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civilização

A Desintegração da Cultura

Jorge Ángel Livraga 0 345

O conceito de cultura poderia definir-se como o conjunto de valores permanentes, conhecimentos científicos, crenças e experiências que vão sendo acumuladas de geração em geração pela Humanidade. Sendo os componentes da Humanidade fisicamente efémeros, vencem, porém, o tempo e a morte, perpetuando-se na transmissão do melhor de si aos seus próprios descendentes, para que o homem, sempre renovado e jovem, seja “experiencialmente” cada vez mais velho e, portanto, mais apto e mais sábio.
A própria civilização não é mais do que a plasmação de uma cultura no plano concreto, tal como o vaso de barro é a plasmação da ideia que teve previamente o oleiro. Desta forma, sem cultura não há civilização. Pelo menos, não há uma civilização viva, capaz de reproduzir-se em tipos cada vez mais evoluídos. Uma civilização pode perdurar mesmo depois da dissolução da sua cultura, mas fá-lo-á como o cadáver o faz: só brevemente depois da morte. Logo virá o processo de putrefação, e a união harmónica que outrora regentara tudo, converte-se num caótico laboratório químico e físico, povoado de vermes e larvas, coberto apenas por uma mortalha fétida e pela fria lápide da recordação do que foi, mas não é mais.

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A História em Crise

Jorge Ángel Livraga 0 738

Penso que a humanidade, e nós como parte dela, estamos um pouco cansados de coisas pré-fabricadas. Não só obtemos as lentilhas enlatadas, mas também as ideias, os conceitos; tudo é pré-fabricado, tudo é pré-pensado. Na Nova Acrópole acreditamos em algo um pouco diferente: que devemos regressar à natureza, mas isto não significa beber a água com as mãos, mas sim regressar ao diálogo, falar, ser filósofos – é assim que nos designamos a nós próprios que humildemente procuramos sabedoria – com todos aqueles que também são filósofos. Já dissemos muitas vezes que a palavra filosofia significa “amor ao conhecimento”. Todos os homens e mulheres que têm amor pelo conhecimento querem saber as respostas às perguntas que muitas vezes nos fazemos em privado: de onde venho, para onde vou, por que estou aqui, porque é que o universo é como é, porque é que existem injustiças sociais, económicas ou políticas, porque é que existem erros históricos, porque é que eu sou como sou e não sou diferente, porque é que nasci homem e não mulher? Estas questões tornam cada um de nós naturalmente filósofos, uma vez que os filósofos nascem, não são feitos. Como um grande filósofo e médico disse há muito tempo: “Só Deus faz médicos e só Deus faz filósofos”. Isso é verdade.

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Necessidade de Ecologia Política

Jorge Angel Livraga 0 1391

Nos últimos anos comprovamos um interesse, a nível mundial, sobre a necessidade de harmonizar o Homem com a Natureza. Antigos preconceitos “religiosos”, unidos ao crescimento deformado da nossa civilização materialista degenerada, numa adoração aberrante do técnico–artificial e de um subjetivismo desumanizado, levaram-nos a este momento histórico altamente conflituoso e asfixiante, sumamente perigoso e com pressentimentos de um futuro apocalíptico. Imagem: Palácio de São Bento, Lisboa. Casa do Parlamento Português. Creative Commons

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Estação Onze, Um Duro Futuro Apocalíptico, mas Esperançado

Quando lemos o Apocalipse (o de São João, que é o mais conhecido, pois há outros apócrifos) a nossa imaginação fica vivamente impressionada pelas cenas de devastação, como a dos quatro cavaleiros da fome, da peste, da guerra e da morte. Não sabemos, tal é a nossa pequenez, se nos chega a consolar a descrição de Jerusalém Celeste e da pedrinha branca com o nome secreto de cada um, entregue aos vencedores. Pois sem entender que nas grandes tragédias da natureza ou das sociedades vive o grande poder renovador da mesma vida, deixamo-nos atordoar apenas pela visão da dor, do terrível, sem capacidade de ver mais além.

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Um Novo Sonho para a China?

À mesma China, sobre a qual se abateram tantas provações, foi-lhe proposto um novo «sonho chinês» (em chinês: Zhōngguó mèng), um conceito defendido por Xi Jinping, actual presidente da República Popular da China. Basicamente, o seu conteúdo é tornar realidade um país próspero e forte, uma nação vigorosa e um povo feliz. Os seus principais objectivos seriam fortalecer a nação, elevar o nível de vida da sua população e acabar com a corrupção nos diversos níveis governamentais.

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