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Orlando, de Virginia Woolf

Este romance é um dos mais conhecidos por Virgínia Woolf, e o caráter andrógino do herói, semelhante à Pórcia do Mercador de Veneza ou a Serafita de Balzac, foi, entre as personagens desta autora, o que mais alcançou o público em geral, por exemplo, com o filme de mesmo nome, de 1992, ou Vita & Virgínia, de 2018, cuja relação (e mais especificamente a escritora de Joana D’Arc, ou seja, Vita Sackville West) seria a inspiração para este romance, Orlando.

Buscando o Caminho mais Curto para Aurea Chersonesus (Segunda Parte)

Em finais do século XV, o epistema geográfico estava ainda configurado pelo legado ptolemaico. A Geografia de Ptolemeu tinha sido introduzida no Ocidente por volta de 1410, com cinco edições desde 1475 até 1490 (Alegria, 1994). Estava presente nas conceções geopolíticas de D. João II, conforme vem referido por João de Barros, no âmbito da descoberta do reino do Benim, após o regresso da primeira viagem de Diogo Cão, em 1484. O cronista escreve que o rei D. João II, juntamente com os seus cosmógrafos, recorreu a Ptolemeu para obterem toda a descrição de África, a localização do reino de Preste João e também do Promontório Prasso, conhecimentos estes que determinaram o envio de navios e missões por terra, aspirando o descobrimento da Índia (Barros, 1778). De facto, antes de 1460, as informações geográficas disponíveis eram inerentes à geografia ptolemaica, mas quando ocorre o contacto com o mapa de Fra Mauro, uma espécie de inovação cartográfica para a época, a navegação em direção ao Índico ficava mais apetecível para os portugueses. A transição dos conhecimentos ptolemaicos para outras fontes cartográficas posteriores não se faria bruscamente, porque tanto em Portugal como em Castela, as referências a Ptolemeu continuariam ainda visíveis por muito tempo, como é constatado nos argumentos do cosmógrafo espanhol Andrés Garcia de Céspedes, nos princípios do século XVII, uma vez mais sobre a posição das Molucas. Apesar de tudo, convém precisar que a presença da geografia ptolemaica nas orientações geopolíticas de D. João II focalizava-se apenas na sua nomenclatura, porque a lição de Ptolemeu absorveu a experiência dos árabes, através do empreendimento cartográfico de Fra Mauro (Cortesão, 1990b). O mapa de Ptolemeu continha uma imperfeição capital que se foi dissipando com a contínua perceção do espaço Atlântico, pelos portugueses: a Taprobana estava aprisionada no seio do oceano Índico. Foi Fra Mauro, aquele cartógrafo que primeiro ousou sulcar a velha conceção ptolemaica, representando o Índico de mãos dadas com o Atlântico (Gonçalves, 1961). A toponímia ptolemaica tem correspondência com aquela que muito provavelmente Pêro da Covilhã recolheu na sua missão ao Oriente, quando buscava informações sobre as redes comerciais das especiarias mais preciosas, existentes no Índico. Segundo Ptolemeu, o meridiano de 160 graus passa sobre a Aurea Chersonesus onde se localizam Malaca, as ilhas Molucas e Banda, as quais corresponderiam às Insulae Satyrorum, situadas no meridiano de 170 graus, a sul de Sinus Magnus, perto do Equador (Cortesão, 1974). De acordo com a figura 2, a reconstrução do mundo de Cláudio Ptolemeu, à esquerda (Dilke, Harley e Woodward, 1987), mostra a localização da Aurea Chersonesus (latim), que confere com a Chrysé Chersonesus (grego), situada na península da Malásia, de acordo com o pormenor da cópia de Nicolaus de Germanus de 1467, à direita.

Cosmobiologia e o Comportamento dos Coloides

Desde a mais remota antiguidade que os sábios afirmaram que existem misteriosas relações entre os astros, em particular, e o cosmos, em geral, com o homem. Esta atitude, ou relação harmónica do homem com a sua envolvência, foi reafirmada por todas as civilizações que nos precederam, desde a hindu à egípcia, e desde a maia à grega.

A Linguagem dos Símbolos

Em várias ocasiões costumamos referir-nos à Filosofia como uma busca do conhecimento que nos falta. Essa busca implica a acção de movimento em determinada direcção, e assim consultamos livros que outros escreveram, escutamos coisas que outros dizem e submetemos a nosso critério os pensamentos e raciocínios dos outros. É certo que no mundo exterior a nós próprios podem-se encontrar muitas respostas interessantes, porque é um mundo no qual se pode experimentar e, de maneira racional, estabelecer relações que nos levam a conclusões lógicas. É um mundo partilhado por milhões de seres humanos, basicamente com os mesmos problemas e as mesmas necessidades, embora seja forçoso reconhecer que varia muitíssimo o grau de intensidade de problemas e necessidades para uns e outros. Mas também é certo que no mundo interno, íntimo e privado de cada um de nós, também se pode experimentar e chegar a resultados válidos. Aqui nos encontramos mais sós, embora estejamos rodeados por milhões de seres humanos. Nesse âmbito interno, os nossos problemas e necessidades parecem-nos únicos, as nossas ideias as melhores e as nossas emoções fazem-nos crer que são intransferíveis. Estes dois mundos, o externo e o interno, são absolutamente reais para cada indivíduo e não podemos estar totalmente certos de saber e conhecer algo se não o experimentámos nestes dois planos da existência.

O Zodíaco de Johfra: Câncer

Nesta terceira parte, continuaremos a analisar as placas do Zodíaco de Johfra Bosschart (1919-1998). Desta vez, o signo de Câncer.
Recordemos que nas obras deste artista podemos encontrar ideias do neoplatonismo, passagens bíblicas, cabala judaica, astrologia hermética, gnosticismo, magia e mitologia.
A maioria dos livros de astrologia define os nascidos sob o signo de Câncer como pessoas que amam o lar e os tesouros terrenos. Essas características traduzem-se num carácter conservador, parcimonioso e relutante a mudanças repentinas. São pessoas que não costumam expor-se ou declarar imediatamente as suas intenções; guardam para si, escondem a sua grande sensibilidade.

Buscando o Caminho mais Curto para Aurea Chersonesus (Primeira Parte)

Com a assinatura do tratado de Alcáçovas em 4 de setembro de 1479, não se pode afirmar que o interesse da Coroa portuguesa, quanto às viagens atlânticas para o Ocidente, tenha sido abandonado completamente. Anteriormente, em 28 de janeiro de 1474, através de carta de doação régia de quaisquer ilhas achadas no mar oceano, identifica-se a concessão que foi dada a Fernão Teles, de terras a descobrir para além das ilhas Floreiras, que tinham sido descobertas por Diogo de Teive e seu filho João de Teive. De acordo com este documento, subentende-se por um lado, que estas viagens não foram financiadas pela Coroa portuguesa, mas antes um reconhecimento por mercê dos serviços e remunerações a expensas do próprio Fernão Teles. De outra parte, fica bem patenteado o interesse quase obstinado da política expansionista de D. Afonso V pelos territórios da Guiné com a marca influente de seu filho, o príncipe D. João. Em carta de 10 de novembro de 1475 focaliza-se novamente a proteção dos territórios nos mares da Guiné e, inclui-se no quadro das ilhas a descobrir, povoadas ou não povoadas, a ilha das Sete Cidades. Considera-se relevante reforçar a ideia de que estas viagens para o Ocidente e sobretudo as implícitas na colonização dos Açores fundamentam a escola portuguesa de navegação no alto mar (Cortesão, 1990a), sendo natural que a sucessão da descoberta das ilhas açorianas, estimulasse ainda mais, o ímpeto aventureiro dos navegadores portugueses, após as descobertas das ilhas do Corvo e das Flores. Esta manifestação já vinha patenteada nos tempos do infante D. Henrique que aspirava descobrir terras desconhecidas no oceano Ocidental para além das que vinham descritas por Ptolemeu, acabando por observar essas ilhas a 300 léguas para lá de Finis Terrae, onde encontraram muitos milhafres ou açores (Canto, 1878).

Acerca da Vida e a Morte

Acostumados como estamos a adaptar-nos a conceitos rígidos e excludentes, a vida e a morte têm-se constituído em dois motivos de preocupação com as suas causas específicas. Em princípio, é a morte que produz maior repulsa e medo, já que penetra em planos desconhecidos para a nossa mentalidade, quando não é considerada como um infinito vazio, um nada sem conteúdo. Deste modo, e por comparação, a vida resulta mais aceitável, ainda que os problemas que ela contém não deixem de inquietar-nos diariamente e, nalguns casos, levam ao suicídio como solução.

Zoroastro e os Princípios do Zoroastrismo

Zoroastro foi um antigo profeta (ou líder espiritual) fundador do zoroastrismo. Apresentou-se como um reformador da religião praticada por tribos de língua iraniana que se instalaram no Turquestão Ocidental entre o segundo e o primeiro milénios antes da nossa era. Alguns historiadores e académicos situam Zoroastro nos séculos VII e VI a.C., quase contemporâneo a Ciro, o Grande e a Dario I. Plínio atribui-lhe uma antiguidade de 1000 anos anterior a Moisés; Plutarco remonta a sua existência em redor de 5000 anos antes da Guerra de Troia, enquanto Hermipo – que traduziu os seus livros para o grego – situa a vida de Zoroastro 4000 anos antes da famosa batalha entre aqueus e troianos; Eudóxio, por sua vez, menciona que teria vivido 6000 anos antes da morte de Platão. O livro sagrado deste movimento conhecido como zoroastrismo é o Zend Avesta, que na língua zenda significa “palavra da vida”. Na sua cosmovisão destaca-se Ahura Mazda, que é o começo e o fim, o criador de tudo, aquele que não pode ser visto, o eterno, o puro e a única verdade. Além disso, Zoroastro chama Ormuz ao princípio do bem (ordem) e Ahriman ao princípio do mal (caos). Também é mencionado que Mitra ocupou um lugar entre os dois princípios e é por isso que os persas dão a Mitra o nome mesites, ou seja, o mediador. Em homenagem a Ormuz, Zoroaster prescrevia sacrifícios, orações e ações de graça, enquanto que, para Ahriman, eram dedicadas cerimónias sombrias destinadas a desviar os males.

O Desafio de Viver em Sociedade. A Convivência como Desafio

Para o ser humano, viver em sociedade constitui uma necessidade. Costumamos dizer que o ser humano é um “animal social”*, ou seja, que necessita de socializar, de viver com, ou de conviver. Mas, desde sempre viver em sociedade constituiu um grande desafio e, hoje, talvez mais do que antigamente, observamos como a dificuldade aumentou. Observamos ainda que, mesmo as pessoas que vivem muito perto umas das outras, ainda mais graças às novas tecnologias, não se conhecem verdadeiramente e sentem-se mais isoladas do que antigamente. Têm dificuldade em dar-se bem umas com as outras, criar relacionamentos afetivos, respeitarem as diferenças, e expressarem coerentemente aquilo que sentem e pensam, revelando uma enorme dificuldade em ouvir os outros, com atenção e interesse.

Emaranhamento

Contrariamente à complementaridade onda-partícula e à escola de Copenhaga, David Bohm postulou que o electrão se comporta perante o observador como uma partícula clássica comum, mas tendo acesso a informação sobre o resto do universo. Bohm denominou o segundo termo, a informação, de “potencial quântico”, um campo de informação funcional que fornece ao electrão (ou qualquer outra partícula) informações sobre o resto do universo físico.

Além da Vida

Este é um filme de 2010 que narra três histórias em paralelo relacionadas de alguma maneira com o além. O primeiro caso é o de um homem com o dom de comunicar com os mortos através do contacto físico com uma pessoa próxima do falecido; o segundo é o de uma mulher que sobrevive a uma experiência de quase-morte durante um tsunami e o terceiro o de um menino que perde o seu irmão gémeo num acidente de trânsito e tem uma necessidade urgente de comunicar com ele. A primeira vez que vi este filme, na televisão, já tinha começado e eu não sabia do que tratava o enredo, mas, como um bom cinéfilo, quando reconheci alguns actores disse “vamos ver”. No primeiro dos três casos, o homem com dotes mediúnicos é interpretado por Matt Damon, e a acção decorre em São Francisco, nos Estados Unidos. Por sua vez, a mulher que sobrevive ao tsunami é francesa, trabalha para a televisão e estava numa missão na zona do Oceano Índico, interpretada aqui pela actriz belga Cécile de France. Entretanto, a história relacionada com os meninos gémeos, interpretados pelos irmãos gémeos Frankie e George McLaren, passa-se em Londres.

Porquê a Dor?

Hoje, perante esta realidade da existência, vamos tocar numa das suas facetas: a dor, o porquê da dor.

Teríamos primeiro de definir o que é a dor. Definir algo, especialmente quando não é físico, mas metafísico, insubstancial, mesmo quando nos afeta profundamente, é sempre difícil. Definir um objeto material é fácil, basta dar as suas medidas, as suas proporções, a sua cor, as suas diferentes qualidades visíveis. Falar do que é invisível, como a dor, o prazer, o amor, o ódio, é muito difícil. De um modo geral, falamos dos seus resultados.

Os Mil Reflexos da Água

Mãe de todas as mães, fonte inesgotável do plasma universal, a água é o berço da vida. Em cada ser humano permanece uma memória oceânica, tão profunda e misteriosa como a nossa alma, sempre em suspenso entre dois mundos: o consciente e o inconsciente, o visível e o invisível. Nas profundezas do Oceano permanecem os vestígios do passado e os sonhos do amanhã. Entre a Terra sólida que nos sustém e o mistério do Além está o Oceano, espelho movediço de todos os horizontes possíveis da alma peregrina. O passado e o futuro dormem nas suas águas ainda intocadas pela luz solar da plena consciência e, em cada travessia por essas águas insondáveis, ansiamos pela terra firme, onde vamos poder construir futuras plataformas para novas experiências.

Zodíaco de Johfra: Gémeos

Nesta segunda parte, continuaremos a analisar as lâminas do Zodíaco de Johfra Bosschart (1919-1998). Desta vez, Gémeos. (Signos anteriores: Touro)
Recordemos que nas obras deste artista podemos encontrar ideias de neoplatonismo, passagens bíblicas, cabala judaica, astrologia hermética, gnosticismo, magia e mitologia.

O Fogo

A Terra move-se com base em transformações que, embora não alterem a sua essência, modificam as suas apresentações. Mudanças químicas, físicas, fervilham continuamente no coração do planeta, e em conjugação com a água, o ar e mesmo o fogo, a Terra altera-se sem mudar o seu lugar no espaço. A água mostra-se dotada de uma maior mobilidade; para ela não há segredos no que diz respeito ao movimento horizontal; rios e mares deslocam-se, com maior ou menor ímpeto, e percorrem as suas bacias de um extremo ao outro, ainda que sempre apoiados na terra-mãe, no suporte necessário para poder mover-se. Só a água das chuvas assume uma atitude vertical, a que se aproxima de outro movimento de espiritualização vertical, como veremos a seguir. E o ar? Este movimenta-se na horizontal e na vertical, varrendo a superfície da terra, e sem necessidade de apoiar-se totalmente nela; não tem a sua origem nas bacias dos mares nem no leito dos rios. O fogo necessita apenas de um ponto de apoio na sua base, e daí em diante, todos os seus movimentos são verticais, uma eterna dança com aspirações à altura, o símile mais acabado da espiritualidade humana que busca o seu Deus acima, apoiando-se apenas no corpo que tem para se expressar.

Alquimistas na Corte de Rodolfo II

“Um dos soberanos que maior protecção dispensou à alquimia e aos sábios a ela dedicados foi Rodolfo II da Alemanha, que subiu ao trono em 1576. Educado em Espanha na corte de Felipe II, adquiriu neste país a afeição à astrologia e à alquimia. Desgastado pelas árduas tarefas do governo do Império, que confiou aos cuidados dos seus ministros, logo se encerrou no castelo de Praga para se entregar livre e exclusivamente até ao fim da sua vida aos seus estudos favoritos. As primeiras lições de alquimia recebeu-as dos seus médicos assistentes. Thadeaus de Hayec, e mais tarde, Miguel Mayer e Martin Ruland. Todos os alquimistas, quaisquer que fossem o seu país ou condição, tinham assegurado ser bem acolhidos na corte do imperador, que os recompensava com generosidade quando, na sua presença, executavam uma experiência digna de interesse. Os alquimistas, pelo seu lado, não se mostravam ingratos; deram ao seu régio protector o título de Hermes da Alemanha, e em todo o lado exaltaram os seus méritos. Rodolfo, segundo os seus biógrafos, figurava no número dos afortunados possuidores da pedra filosofal, o que se comprovou quando, após a sua morte, se encontraram no seu laboratório oitenta e quatro quintais de ouro e sessenta de prata fundidos em pequenas em pequenas massas em forma de tijolos” (Helena P. Blavatsky. Glosario Teosófico).

O Escudo de Héracles e a Identidade do Herói

O escudo de Héracles é um poema de Hesíodo cuja antiguidade é dificilmente calculável, mas estimada em 2800 anos aproximadamente. Esta obra, inspiradora de homens durante toda a antiguidade nas costas do Mediterrâneo e ao largo e longo da Europa, com influências directas até à modernidade, apresenta-nos um modelo simbólico, arquétipo do ser humano: o herói. Especialmente, estará centrada em Héracles, cuja força e inteligência ainda hoje inundam os corações dos filósofos para que no seu interior cresçam o valor e a virtude. A obra está situada nas cercanias do Oráculo de Delfos, umbigo do mundo helénico. Mais precisamente, nos bosques dedicados ao deus Apolo, divindade da luz, da claridade e da harmonia. Neste lugar sagrado encontrava-se Cicno e seu pai Ares, deus da guerra e “matador de homens”, “cujos gritos faziam estrondear o bosque sagrado”, despojando aqueles que levavam oferendas a Pítia.

A Filosofia da Benevolência

Estou a referir-me com este título à vida e obra de um filósofo Chinês chamado Mengzi, ou Mêncio conforme escrito na versão latina do seu nome.
Nascido na província de Zou por volta de 371 a.C. viveu num período conhecido como “Os Estados em Guerra”, que durou de 481 a 221 a.C. Foi provavelmente como resultado de ver muita crueldade e muito sofrimento entre as pessoas do seu tempo que Mêncio promoveu a sua filosofia da benevolência.

Símbolos do Herói Arturiano Tristão de Leonis

As lendas desta personagem histórica e literária, Tristão, surgem no norte da França e na antiga Britânia, com ligações ao País de Gales. Lendas célticas, que como a de Artur, mais tarde se tornam cavaleirescas, espalhando-se por toda a Europa durante a Idade Média nesta “mitologia” que permitiu dar vida e alma ao Ideal Cavaleiresco. Lembremo-nos que estes são tempos em que, como disse Quixote, “Cavalaria Andante é Religião”. E o exemplo das damas e cavaleiros é a melhor expressão, o modelo do ser humano, uma cristalização, com os seus direitos, deveres, ideais e valores, da vontade do “Rei dos Reis”. Um modo viril, baseado em ações e não apenas orações, de seguir o caminho de Deus, como na Futuwah islâmica ou nos mistérios de Mitra mil anos antes.

A Era Espacial

Evidentemente, a presente geração deste assombroso século XX teve o privilégio de assistir à colocação do Homem na Lua. Dizemos privilégio, pois, ainda que novas façanhas empalideçam muito rapidamente este evento, ele tem tal dimensão que necessitaremos de anos para o compreender na sua devida grandeza e valorizá-lo.

Coisas Minhas. O Conflito que Dá Origem ao Projeto Bélico

Esta é a história de 2 personagens que se manifestam no interior de uma forma qualquer, raramente se separam e vivem em aparente harmonia. A história começa na descoberta de que, na língua dos Índios Kogis (Colômbia) não existe a palavra inimigo nem adversário. Uma ideia muito interessante, pensar que num momento conturbado em que as ideologias se confrontam, poder percecionar com clareza de que não nos deparamos com um inimigo, mas sim com um “outro sistema de pensamento”, que na verdade não há um adversário, mas alguém com valores diferentes.

O Ar

É mais subtil que a terra e a água, e por isso mesmo, apresenta um aspecto muito mais frágil. É mais móvel que a terra e a água, porque é mais subtil e porque aparenta ser mais frágil. Porém, Maya voltou a brincar com os nossos sentidos: o ar é mais subtil, é muito mais móvel que as outras formas de matéria, mas longe de ser mais frágil é, pelo contrário, muito mais forte e poderoso.

A Infância da Mãe de Jesus
Recriando Maria Menina

Se já nos é bem difícil o acesso às elusivas informações históricas sobre a pessoa de Jesus Cristo, mais ainda o é no caso de sua mãe… e mais ainda desta enquanto criança. Tarefa tão árdua que a própria devoção à figura de Nossa Senhora Menina, mesmo mundialmente, não alcança o status que nos acostumamos a ver em centenas de outras manifestações. Sendo os escritos apócrifos descartados enquanto fontes historicamente confiáveis (o Proto-Evangelho de Tiago é um bom exemplo), o que nos resta é enquadrarmos sua realidade no que sabemos sobre o padrão de vida de uma menina palestina às portas do primeiro século. Muito provavelmente, a pequena “Míriam” não deverá fugir deste cenário. Porém, o fato é que a imagem da “menina” nas manifestações católicas assumiu seus próprios contornos, e encontramos ao norte da Itália sua expressão mais emblemática.

A Alquimia e a Transmutação Interior

Tudo o que existe no Universo enquanto matéria e energia encontra-se em menor grau no Homem. Por isso se dão os nomes de macrocosmos (que significa grande mundo) ao Universo e microcosmos (que significa pequeno mundo) ao Homem.

A essência da Alquimia pode ser vista tanto no mundo exterior ao Homem (material) como no interior do mesmo, como será dissertado ao longo deste texto.

Os Outros

As duas primeiras realizações de Alejandro Amenábar – Tesis (Morte ao vivo) e Abre los ojos (Vanilla Sky) – pressagiavam, apesar dos seus evidentes vazios e carências, uma carreira de êxitos a um jovem e imaginativo realizador que apoiava no mistério e na fantasia um mundo pessoal pleno de matizes e singularidades. O êxito de um primeiro filme é facilmente predizível. Geralmente é uma obra muito pessoal sobre a qual se esteve a trabalhar durante muito tempo, por vezes desde os anos de estudante e que foi repensada uma e outra vez até ao mínimo detalhe. Tal parecia ser o caso de Tesis, uma realização quase académica que bebia das fontes do suspense hitchconiano. Mas a coisa muda quando o novo realizador tem que submeter-se por inteiro às exigências e aos ritmos da indústria cinematográfica e ainda assim, continuar com o máximo empenho.

Mensagem Filosófica no Poema “Pedra Filosofal”de António Gedeão

Como já dissemos num artigo anterior, esta obra de António Gedeão, Pedra Filosofal, é um verdadeiro poema filosófico.
A formação científica séria e disciplinada do autor, como Físico e Químico, unida a uma natureza filosófica e poética – pois com dez anos de idade emulou Camões, disposto a continuar o seu vasto poema histórico “Os Lusíadas” – deram nascimento a este poema, uma das joias da sua vasta produção lírica.
Quando António Gedeão se refere ao Sonho ele apela à capacidade de imaginar da alma humana, ao seu fogo criativo, ao dom de Prometeu que nos diferencia das bestas e nos permite abstrair, raciocinar, antecipar, modelar no invisível. Vamos analisar em detalhe estes versos, que um professor de filosofia em Portugal, ouvi dizer, usava durante meio curso académico para fazer com que seus alunos amassem esta disciplina, demasiado áspera se não se sabe ensinar bem.

Paralelos entre a Teosofia e a Ciência no Século XXI

A Cromo Dinâmica Quântica (QCD), constitui hoje um dos pilares da descrição física do Universo através da teoria quântica dos campos. Além da interacção electromagnética, tanto a interacção fraca quanto a interacção forte são descritas por teorias quânticas de campos, que reunidas formam o que conhecemos por Modelo Padrão que considera, tanto as partículas que compõem a matéria fermiónica (quarks e leptões) quanto as partículas mediadoras de forças (bosões de gauge), atribuídas como excitações de campos fundamentais.