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Desde quando Sabemos que a Terra É Redonda?

Primeiramente destacamos que o facto de o nosso planeta ser redondo não é evidente a olho nu; e quanto ao facto de que a sua forma se deduz “facilmente” pelos eclipses da lua ao projetar sobre ela a sua “silhueta”, tampouco é certo se não se tem um conhecimento prévio. O acreditar que a humanidade chegou a determinados conhecimentos científicos pela simples via da observação dos elementos naturais, é desconhecer a parte prática do problema, sacrificando a verdade no altar dos sistemas imperantes, que necessitam, para se perpetuar, de fazer crer que o homem, apenas chegando à Ilustração e ao Materialismo, pôde derrubar os mais grossos muros da sua ignorância.

A Ceia era a Relíquia

Após revelar como seria o verdadeiro rosto da Virgem Maria a partir do Santo Sudário, o designer e especialista em História e Arqueologia , natural de Niterói (RJ), Átila Soares da Costa Filho, revela um surpreendente (novo) achado. Também relacionado à relíquia, assim como ao maior gênio da História, desta vez, o feito foi sobre nada mais nada menos que a célebre ÚLTIMA CEIA. Segundo Átila, o mural executado por Leonardo em 1498 para o refeitório da Igreja de Santa Maria delle Grazie (Milão), também poderá guardar um elemento oculto reafirmando uma proximidade entre o artista e o maior tesouro da cristandade de todos os tempos, o Santo Sudário – o tecido de linho que teria envolvido o corpo de Jesus, após a morte, e gravado sua imagem durante a ressurreição.

Ética na Medicina

O médico em exercício deve tomar decisões que possam influenciar a liberdade ou a vida humana. Deverá resolver problemas que não dependem apenas dos seus conhecimentos científicos, mas das suas crenças e convicções humanistas. A consciência dos nossos próprios limites, o respeito pela dignidade humana, a capacidade de se colocar no lugar do paciente, por exemplo, influenciarão claramente na assistência médica. Assim sensibilizado com o aspeto humano da doença, o médico pode compreender que está na presença de um ser completo que sofre e que precisa da ciência. Há uma ética geral e uma ética específica da medicina cujas origens se confundem. A história da ética médica é a história dos ideais profissionais e dos valores associados que influenciam a função do médico. Esses ideais éticos foram desenvolvidos e codificados em cada época pelos médicos mais renomados, e constituíram as normas que os praticantes impuseram a si mesmos. Desde o início da Humanidade, tem havido uma sobreposição entre religião e medicina. Não é de surpreender, então, que a ética religiosa tenha um lugar particular na deontologia médica. Da mesma forma, noutras épocas, os médicos descobriram a aplicação médica e social dos ideais ensinados por filósofos e pensadores: os pitagóricos, os estoicos e outros.

Macaco – Jornada ao Oeste

Aqueles de vocês da época vintage podem lembrar-se do programa de TV japonês Monkey ou “Macaco” dos anos 70. Foi a primeira vez que este romance chinês da dinastia Ming foi trazido a um público de massas ocidental e reuniu seguidores de culto. Ofereceu um vislumbre de uma terra estrangeira onde se poderia entrar num mundo de fantasia, ficção e esoterismo.

Sobre o Universo. Primeira Parte

O Universo é um mistério, uma chamada à investigação e ao conhecimento. Como disse Heraclito: “a natureza gosta de se ocultar” e apesar dos nossos esforços para chegar ao fundo das coisas, sempre haverá algo escondido e incompreensível para nós. Pois, um novo conhecimento abre novos horizontes ao desconhecido. Este viver na presença do mistério dá significado e encanto à vida. A cognição é a característica fundamental do Ser Humano. É que, para viver, há que saber como sobreviver física e espiritualmente. O conhecimento é necessário não apenas para saber mais, mas para Ser mais, ou seja, integrando o conhecimento, para se aproximar mais à causa do seu próprio ser. O homem ocupa um lugar especial entre todos os seres vivos. Adquire o seu conhecimento não só através dos sentimentos, das emoções e da razão mas, também, pela mente e pela intuição que percebem o mundo na sua integridade e unidade física e metafísica.

As Motivações

Este tema pode ser examinado nos seus dois aspectos: estar motivado ou estar desmotivado. Ambas são expressões que ouvimos diariamente, em diferentes ocasiões e em relação a muitos aspectos da vida.
A motivação ou a desmotivação atingem todas as pessoas, mesmo aquelas que, dispondo dos ensinamentos de um Ideal Filosófico, não se mantêm no rumo de converter esse Ideal num modo de vida feliz e duradouro.

As Perguntas de Göbekli Tepe

Quando chegamos ao campo arqueológico de Göbekli Tepe é o seu próprio espaço com a linguagem simbólica dos seus Ts que nos desafia a esquecer a nossa forma de pensar baseada na preponderância do externo, a fim de nos sintonizarmos com as suas perguntas que são, de algum modo, também respostas, ou indicações face ao grande mistério da Vida. Do ponto de vista externo, deparamos com uma arte e arquitectura muito evoluídas realizada por caçadores-recolectores do epipaleolítico, estamos no X milénio a. C. , ou seja, há cerca de doze mil anos. No momento do nível III de Göbekli Tepe, o mais antigo até agora conhecido, e o mais impressionante pela sua qualidade técnica, não havia ainda nem agricultura, nem domesticação de animais. Estes caçadores-recolectores deixaram a sua marca de eternidade em assombrosos menires-T com relevos de grande qualidade escultórica nos chamados recintos B, C e D – que estão integrados num monte artificial com quinze metros de altura e trezentos de diâmetro. Os altos-relevos seja em 2D ou 3D são impressionantes, representam sobretudo serpentes, raposas e javalis, mas também aves, escorpiões, predadores, e outros animais. Os menires-T são eles próprios antropomórficos estilizados. Não há um antes e não há um depois, directo, a esta cultura dos Ts, só se atingiria este nível de arte e arquitectura uns seis mil anos depois, seguindo a matriz cronológica actual da arqueologia. Note-se que os Ts do local, às dezenas, são monólitos de calcário trabalhados com um peso de várias toneladas, sendo que os mais altos do recinto D pesam mais de quinze toneladas.

Reencarnação no Egito Antigo

Heródoto menciona a crença dos egípcios na reencarnação. Os egípcios são os primeiros a expor a doutrina da imortalidade da alma e o facto de, com a morte do corpo material, esta encarnar num novo corpo que ainda está para nascer; consideram que quando a alma logra passar pelo ciclo dos animais do mar, da terra e do ar, consegue finalmente entrar num corpo humano, nascido ou preparado para isso?

Diego Gelmírez e o Roubo das Reliquias Sagradas, um Exemplo de Guerra Psicológica

Não é necessário ler Sun Tzu e a sua Arte da Guerra para reconhecer a importância dos símbolos na estratégia militar e na própria vida dos povos. Os símbolos têm tanta realidade no psicológico como os objetos materiais no físico; canalizam os valores psicológicos e morais de quem é regido por eles, “eletrizam” os ânimos e despertam do sonho da passividade. A história das crenças é, afinal, uma história de símbolos, e as guerras são guerras de símbolos que resumem diferentes visões do mundo. Símbolo é, por exemplo, a bandeira de um país, que encarna a Ideia ou Espírito Reitor (o Volksgheist de Hegel) e outorga unidade e destino a uma terra e às suas gentes; e que expressa os seus sonhos comuns, as suas esperanças, as suas vitórias e fracassos, a sua história. Praticamente toda a Idade Média é uma guerra religiosa entre a Cruz e o Crescente, e toda a Heráldica é uma história de símbolos que resumem genealogias e um esforço de glória acumulado durante séculos, escudos pelos quais facilmente se podia matar ou morrer. E quando o Grande Mestre do Templo outorga ao jovem Jaime I, o Conquistador, a espada do Cid, ela é um símbolo de Espanha inteira e de um velho Ideal que deve erguer-se vitorioso da sua tumba. Os mesmos heróis, que singram como tochas humanas os caminhos da História, são talismãs de carne e osso e vivem na memória e, portanto, no afã de gerações e mais gerações. A própria Santiago de Compostela, e graças à obra de Diego Gelmírez, foi um símbolo, juntamente com a obra dos “monges negros” de Cluny, do Renascimento da Europa, depois do frio e torturado sonho da Alta Idade Média.

Da Poesia e do que É um Poeta

A poesia é um mistério, uma clarividência, uma sombra e uma ascese – é um degrau, uma tentativa, um exercício. Toda a verdadeira poesia deixa em nós um toque muito leve de algo longínquo e esquecido, de algo que se sente e se sabe e quase não se expressa; é uma pegada angelical que marca o mundo com o fogo da mais alta Beleza que lhe imprime. O que haverá no som e no ritmo que tanto parece extasiar-nos como elevar-nos aos poucos a regiões mais claras e luminosas? O poeta, claro está, é uma espécie de sacerdote; por vezes um pontífice desarranjado, com um grande apelo claro e sem clareza.

As Máquinas de Leonardo

Leonardo, o misterioso e multifacetado génio do Renascimento, nasceu numa casa singela a muito pouca distância da aldeia de Vinci, entre Empoli e Pistoia, no norte de Itália.

Viu a luz do dia num sábado, a 15 de Abril de 1452. O seu pai é notário e, a sua mãe, Catarina de Anchiano, solteira, casar-se-á mais tarde com um lavrador. Com as Santas Águas recebe o nome de Leonardo de Ser Piero d’Antonio.

Epigenética: Como Dirigir a Nossa Vida

A maioria dos biólogos estava convencida de que os seres vivos eram apenas o produto dos seus genes e que fomos determinados por um programa genético herdado dos nossos antepassados, condenados a sofrer. Os últimos vinte anos de investigação em ciências da vida perturbaram completamente essa crença. Demonstram que podemos agir nas nossas vidas, transformando-nos, mudando os nossos comportamentos e indo além de nós para ir em direção a horizontes às vezes insuspeitos. A investigação do Dr. Bruce Lipton revelou que o ambiente que opera em toda a membrana celular controla o comportamento e a fisiologia da célula ativando e desativando os genes. Essas descobertas foram confrontadas com a opinião de cientistas instituídos, que afirmavam que a vida está controlada pelos genes, prevendo assim que um dos campos de estudo mais importantes da atualidade é a ciência epigenética.

Entrevista com Carlos Adelantado, Presidente da Nova Acrópole

Nova Acrópole é uma Organização Internacional que propõe um ideal de valores permanentes para contribuir para a evolução individual e colectiva através das suas linhas de acção na Filosofia, Cultura e Voluntariado. Nova Acrópole está presente em 60 países nos 5 continentes e mantém mais de 400 sedes em funcionamento.
A sua acção no mundo baseia-se em três ideais fundacionais:
O Ideal da fraternidade universal, promovendo o respeito pela dignidade humana para além das diferenças de sexo, culturais, religiosas ou sociais.
O Ideal do conhecimento, fomentando o amor à sabedoria através do estudo comparado de filosofias, religiões, ciências e artes.
O Ideal de desenvolvimento, começando pela realização das melhores qualidades e valores de cada ser humano como base sólida para um mundo melhor.
O presidente da Nova Acrópole, Carlos Adelantado, explica-nos os caminhos para esses ideais comuns.
Quais são os principais desafios que a Nova Acrópole tem na actualidade? Que metas desejaria alcançar?
A nível filosófico, a grande meta é reivindicar a importância intemporal do conceito de Filosofia.

O Zodíaco de Johfra: Leão

Nesta quarta parte, continuaremos a analisar as lâminas do Zodíaco por Johfra Bosschart (1919-1998). Desta vez, o signo de Leão. Recordemos que nas obras deste artista podemos encontrar ideias do neoplatonismo, passagens bíblicas, cabala judaica, astrologia hermética, gnosticismo, magia e mitologia. O Leão é um signo de Fogo, associado às características deste elemento: extroversão, energia, entusiasmo, iniciativa e auto-suficiência. O regente de Leão é o Sol, centro do Sistema Solar, e é por isso que aqueles nascidos sob este signo são geralmente egocêntricos. Tal como a ideia que formamos do leão pelos relatos e mitos, aquele nascido sob este signo é geralmente forte, corajoso, elegante, nobre, mas também ávido pelo poder. Não aceita rivais ao seu redor, muito menos outro Leão, consciente, como ele, do seu próprio valor. É bom na posição que ocupa na sociedade, tanto no trabalho como em casa, mas precisa de ser aquele que toma as rédeas, porque caso contrário, podem ocorrer confrontos.

Árvore. Paralelismos à Existência Humana

Desde que me recordo, sempre senti um fascínio por estes seres vivos. Em caminhadas entre os bosques, questões como: “Há quanto tempo vive esta árvore?”, “Se pudessem falar, quantas histórias poderiam contar sobre o que sucedeu naquele local durante a sua existência?”, “Será que possuem alguma sabedoria para os seres humanos por exemplo em como habitar este planeta?”.
Nos tempos actuais, o tempo de vida médio de um ser humano ronda os 80 anos em países com as melhores condições para a longevidade. As árvores, no entanto, têm um intervalo que vai dos 30 anos, no caso de um pessegueiro, até 3000 anos, como no caso das sequóias gigantes que habitam no norte da Califórnia, algumas chegando a atingir alturas superiores a 100 m. Equivalente a 37 gerações humanas de existência, no mínimo, comparando com a esperança média da vida humana actual.

Entrevista Delia Steinberg Guzmán, Presidente Honorária da Nova Acrópole

Em 1991, Délia Steinberg tomou posse como Presidente da Nova Acrópole após o falecimento do professor Jorge Angel Livraga Rizzi, seu fundador, com quem colaborou muito estreitamente durante mais de vinte anos de discipulado. Actualmente é Presidente honorífica da Organização Internacional Nova Acrópole. Sob a sua direcção, a Nova Acrópole expandiu-se nos cinco continentes, levando a Filosofia à maneira clássica a todo o tipo de pessoas. Este desenvolvimento foi obtido através dos programas filosóficos, culturais e de voluntariado, dando novos enfoques e também aprofundando a identidade da Nova Acrópole definida nos seus princípios fundacionais. Milhares de membros acropolitanos, amigos, colaboradores, em todo o mundo, demonstram que as respostas filosóficas da Nova Acrópole para estes tempos complexos são válidas e necessárias, pois baseiam-se na sabedoria intemporal que iluminou a humanidade nos momentos mais difíceis.

Para uma Nova Biosofia

Não será do âmbito deste texto explicar ao pormenor técnico e matemático as bases das alegações maioritariamente construídas aqui de forma intuitiva, e referidas apenas de relance, mas no entanto passíveis de consultar nas referências bibliográficas por aqueles que pretendam aprofundar os temas em apreço.
Seria impensável apenas alguns anos atrás imaginar que conceitos do domínio da ficção, e por vezes apenas trazidos a lume em artigos de divulgação científica sob algum aspecto metafórico, se tornassem assunto sério alvo de profundas conjecturas da Física Quântica e de intricadas demonstrações matemáticas, inclusivamente de propostas e de ensaios experimentais, ou ainda da formulação de teoremas que se aproximam cada vez mais de conceitos expressos em filosofias milenares hinduístas.

De Crise em Crise

A atual geração tem vivido desde 2007 uma transformação após outra. Primeiro a grande recessão de 2008 com uma grande crise imobiliária e financeira, depois o grande confinamento de 2020, quando o mundo literalmente parou, e desde fevereiro de 2022 a guerra da Ucrânia após a invasão russa. É, sem dúvida e também inegável, que a aceleração dos tempos – que alguns veem como positiva, talvez deslumbrados com o auge da tecnologia – esteja a quebrar todos os laços que mantêm unida a nossa civilização e o seu modo de vida. Isto acabou com muitas das nossas certezas, inúmeras coisas que antes dávamos como garantidas e que já não existem ou deixaram de existir.

Orlando, de Virginia Woolf

Este romance é um dos mais conhecidos por Virgínia Woolf, e o caráter andrógino do herói, semelhante à Pórcia do Mercador de Veneza ou a Serafita de Balzac, foi, entre as personagens desta autora, o que mais alcançou o público em geral, por exemplo, com o filme de mesmo nome, de 1992, ou Vita & Virgínia, de 2018, cuja relação (e mais especificamente a escritora de Joana D’Arc, ou seja, Vita Sackville West) seria a inspiração para este romance, Orlando.

Buscando o Caminho mais Curto para Aurea Chersonesus (Segunda Parte)

Em finais do século XV, o epistema geográfico estava ainda configurado pelo legado ptolemaico. A Geografia de Ptolemeu tinha sido introduzida no Ocidente por volta de 1410, com cinco edições desde 1475 até 1490 (Alegria, 1994). Estava presente nas conceções geopolíticas de D. João II, conforme vem referido por João de Barros, no âmbito da descoberta do reino do Benim, após o regresso da primeira viagem de Diogo Cão, em 1484. O cronista escreve que o rei D. João II, juntamente com os seus cosmógrafos, recorreu a Ptolemeu para obterem toda a descrição de África, a localização do reino de Preste João e também do Promontório Prasso, conhecimentos estes que determinaram o envio de navios e missões por terra, aspirando o descobrimento da Índia (Barros, 1778). De facto, antes de 1460, as informações geográficas disponíveis eram inerentes à geografia ptolemaica, mas quando ocorre o contacto com o mapa de Fra Mauro, uma espécie de inovação cartográfica para a época, a navegação em direção ao Índico ficava mais apetecível para os portugueses. A transição dos conhecimentos ptolemaicos para outras fontes cartográficas posteriores não se faria bruscamente, porque tanto em Portugal como em Castela, as referências a Ptolemeu continuariam ainda visíveis por muito tempo, como é constatado nos argumentos do cosmógrafo espanhol Andrés Garcia de Céspedes, nos princípios do século XVII, uma vez mais sobre a posição das Molucas. Apesar de tudo, convém precisar que a presença da geografia ptolemaica nas orientações geopolíticas de D. João II focalizava-se apenas na sua nomenclatura, porque a lição de Ptolemeu absorveu a experiência dos árabes, através do empreendimento cartográfico de Fra Mauro (Cortesão, 1990b). O mapa de Ptolemeu continha uma imperfeição capital que se foi dissipando com a contínua perceção do espaço Atlântico, pelos portugueses: a Taprobana estava aprisionada no seio do oceano Índico. Foi Fra Mauro, aquele cartógrafo que primeiro ousou sulcar a velha conceção ptolemaica, representando o Índico de mãos dadas com o Atlântico (Gonçalves, 1961). A toponímia ptolemaica tem correspondência com aquela que muito provavelmente Pêro da Covilhã recolheu na sua missão ao Oriente, quando buscava informações sobre as redes comerciais das especiarias mais preciosas, existentes no Índico. Segundo Ptolemeu, o meridiano de 160 graus passa sobre a Aurea Chersonesus onde se localizam Malaca, as ilhas Molucas e Banda, as quais corresponderiam às Insulae Satyrorum, situadas no meridiano de 170 graus, a sul de Sinus Magnus, perto do Equador (Cortesão, 1974). De acordo com a figura 2, a reconstrução do mundo de Cláudio Ptolemeu, à esquerda (Dilke, Harley e Woodward, 1987), mostra a localização da Aurea Chersonesus (latim), que confere com a Chrysé Chersonesus (grego), situada na península da Malásia, de acordo com o pormenor da cópia de Nicolaus de Germanus de 1467, à direita.

Cosmobiologia e o Comportamento dos Coloides

Desde a mais remota antiguidade que os sábios afirmaram que existem misteriosas relações entre os astros, em particular, e o cosmos, em geral, com o homem. Esta atitude, ou relação harmónica do homem com a sua envolvência, foi reafirmada por todas as civilizações que nos precederam, desde a hindu à egípcia, e desde a maia à grega.

A Linguagem dos Símbolos

Em várias ocasiões costumamos referir-nos à Filosofia como uma busca do conhecimento que nos falta. Essa busca implica a acção de movimento em determinada direcção, e assim consultamos livros que outros escreveram, escutamos coisas que outros dizem e submetemos a nosso critério os pensamentos e raciocínios dos outros. É certo que no mundo exterior a nós próprios podem-se encontrar muitas respostas interessantes, porque é um mundo no qual se pode experimentar e, de maneira racional, estabelecer relações que nos levam a conclusões lógicas. É um mundo partilhado por milhões de seres humanos, basicamente com os mesmos problemas e as mesmas necessidades, embora seja forçoso reconhecer que varia muitíssimo o grau de intensidade de problemas e necessidades para uns e outros. Mas também é certo que no mundo interno, íntimo e privado de cada um de nós, também se pode experimentar e chegar a resultados válidos. Aqui nos encontramos mais sós, embora estejamos rodeados por milhões de seres humanos. Nesse âmbito interno, os nossos problemas e necessidades parecem-nos únicos, as nossas ideias as melhores e as nossas emoções fazem-nos crer que são intransferíveis. Estes dois mundos, o externo e o interno, são absolutamente reais para cada indivíduo e não podemos estar totalmente certos de saber e conhecer algo se não o experimentámos nestes dois planos da existência.

O Zodíaco de Johfra: Câncer

Nesta terceira parte, continuaremos a analisar as placas do Zodíaco de Johfra Bosschart (1919-1998). Desta vez, o signo de Câncer.
Recordemos que nas obras deste artista podemos encontrar ideias do neoplatonismo, passagens bíblicas, cabala judaica, astrologia hermética, gnosticismo, magia e mitologia.
A maioria dos livros de astrologia define os nascidos sob o signo de Câncer como pessoas que amam o lar e os tesouros terrenos. Essas características traduzem-se num carácter conservador, parcimonioso e relutante a mudanças repentinas. São pessoas que não costumam expor-se ou declarar imediatamente as suas intenções; guardam para si, escondem a sua grande sensibilidade.

Buscando o Caminho mais Curto para Aurea Chersonesus (Primeira Parte)

Com a assinatura do tratado de Alcáçovas em 4 de setembro de 1479, não se pode afirmar que o interesse da Coroa portuguesa, quanto às viagens atlânticas para o Ocidente, tenha sido abandonado completamente. Anteriormente, em 28 de janeiro de 1474, através de carta de doação régia de quaisquer ilhas achadas no mar oceano, identifica-se a concessão que foi dada a Fernão Teles, de terras a descobrir para além das ilhas Floreiras, que tinham sido descobertas por Diogo de Teive e seu filho João de Teive. De acordo com este documento, subentende-se por um lado, que estas viagens não foram financiadas pela Coroa portuguesa, mas antes um reconhecimento por mercê dos serviços e remunerações a expensas do próprio Fernão Teles. De outra parte, fica bem patenteado o interesse quase obstinado da política expansionista de D. Afonso V pelos territórios da Guiné com a marca influente de seu filho, o príncipe D. João. Em carta de 10 de novembro de 1475 focaliza-se novamente a proteção dos territórios nos mares da Guiné e, inclui-se no quadro das ilhas a descobrir, povoadas ou não povoadas, a ilha das Sete Cidades. Considera-se relevante reforçar a ideia de que estas viagens para o Ocidente e sobretudo as implícitas na colonização dos Açores fundamentam a escola portuguesa de navegação no alto mar (Cortesão, 1990a), sendo natural que a sucessão da descoberta das ilhas açorianas, estimulasse ainda mais, o ímpeto aventureiro dos navegadores portugueses, após as descobertas das ilhas do Corvo e das Flores. Esta manifestação já vinha patenteada nos tempos do infante D. Henrique que aspirava descobrir terras desconhecidas no oceano Ocidental para além das que vinham descritas por Ptolemeu, acabando por observar essas ilhas a 300 léguas para lá de Finis Terrae, onde encontraram muitos milhafres ou açores (Canto, 1878).

Acerca da Vida e a Morte

Acostumados como estamos a adaptar-nos a conceitos rígidos e excludentes, a vida e a morte têm-se constituído em dois motivos de preocupação com as suas causas específicas. Em princípio, é a morte que produz maior repulsa e medo, já que penetra em planos desconhecidos para a nossa mentalidade, quando não é considerada como um infinito vazio, um nada sem conteúdo. Deste modo, e por comparação, a vida resulta mais aceitável, ainda que os problemas que ela contém não deixem de inquietar-nos diariamente e, nalguns casos, levam ao suicídio como solução.

Zoroastro e os Princípios do Zoroastrismo

Zoroastro foi um antigo profeta (ou líder espiritual) fundador do zoroastrismo. Apresentou-se como um reformador da religião praticada por tribos de língua iraniana que se instalaram no Turquestão Ocidental entre o segundo e o primeiro milénios antes da nossa era. Alguns historiadores e académicos situam Zoroastro nos séculos VII e VI a.C., quase contemporâneo a Ciro, o Grande e a Dario I. Plínio atribui-lhe uma antiguidade de 1000 anos anterior a Moisés; Plutarco remonta a sua existência em redor de 5000 anos antes da Guerra de Troia, enquanto Hermipo – que traduziu os seus livros para o grego – situa a vida de Zoroastro 4000 anos antes da famosa batalha entre aqueus e troianos; Eudóxio, por sua vez, menciona que teria vivido 6000 anos antes da morte de Platão. O livro sagrado deste movimento conhecido como zoroastrismo é o Zend Avesta, que na língua zenda significa “palavra da vida”. Na sua cosmovisão destaca-se Ahura Mazda, que é o começo e o fim, o criador de tudo, aquele que não pode ser visto, o eterno, o puro e a única verdade. Além disso, Zoroastro chama Ormuz ao princípio do bem (ordem) e Ahriman ao princípio do mal (caos). Também é mencionado que Mitra ocupou um lugar entre os dois princípios e é por isso que os persas dão a Mitra o nome mesites, ou seja, o mediador. Em homenagem a Ormuz, Zoroaster prescrevia sacrifícios, orações e ações de graça, enquanto que, para Ahriman, eram dedicadas cerimónias sombrias destinadas a desviar os males.

O Desafio de Viver em Sociedade. A Convivência como Desafio

Para o ser humano, viver em sociedade constitui uma necessidade. Costumamos dizer que o ser humano é um “animal social”*, ou seja, que necessita de socializar, de viver com, ou de conviver. Mas, desde sempre viver em sociedade constituiu um grande desafio e, hoje, talvez mais do que antigamente, observamos como a dificuldade aumentou. Observamos ainda que, mesmo as pessoas que vivem muito perto umas das outras, ainda mais graças às novas tecnologias, não se conhecem verdadeiramente e sentem-se mais isoladas do que antigamente. Têm dificuldade em dar-se bem umas com as outras, criar relacionamentos afetivos, respeitarem as diferenças, e expressarem coerentemente aquilo que sentem e pensam, revelando uma enorme dificuldade em ouvir os outros, com atenção e interesse.

Emaranhamento

Contrariamente à complementaridade onda-partícula e à escola de Copenhaga, David Bohm postulou que o electrão se comporta perante o observador como uma partícula clássica comum, mas tendo acesso a informação sobre o resto do universo. Bohm denominou o segundo termo, a informação, de “potencial quântico”, um campo de informação funcional que fornece ao electrão (ou qualquer outra partícula) informações sobre o resto do universo físico.