Problemas pessoais no caminho do conhecimento de si mesmo

Quais são os problemas pessoais que surgem no caminho do conhecimento de si mesmo?

Evidentemente, os que afectam a personalidade, compreendendo o conjunto de expressões físicas e vitais, emocionais e mentais. Sem menosprezar a dor de uma doença ou de um problema físico mais ou menos permanente, as circunstâncias emocionais são mais decisivas, ao ponto de serem elas que condicionam o pensamento e até mesmo a disposição física. É sabido que em mais de uma ocasião, um grande desgosto reflecte-se de imediato no corpo de uma forma ou outra, enquanto bloqueia a mente para todo o raciocínio lógico e sensato.

Porque temos estes problemas pessoais, basicamente emocionais? Por falta de conhecimento dos próprios mecanismos emocionais e, por conseguinte, pela impossibilidade de resolver as situações conflituosas que se apresentem.

A nós, todos os humanos que vivemos neste mundo, por uma ou outra razão, apresentam-se-nos dificuldades. É algo lógico se concordarmos com os filósofos clássicos em que a vida se encarrega de nos ensinar a viver. E não é um jogo de palavras. Podemos aprender com experiências e conselhos de outros, podemos estar prevenidos em relação às conjunturas da existência, contudo nada se equipara à prática vital de tudo o que aprendemos. A vida ensina-nos todos os dias, e é bom reconhecê-la como mestra mais do que como inimiga.

Como mestra, ajuda-nos a pôr em jogo as nossas maiores potencialidades; se a vemos como inimiga, apenas será um longo caminho de problemas, sobretudo, de problemas pessoais.

Como ensina a vida? De um modo diferente de outros tipos de sistemas. Ensina de forma directa, incidindo sobre aquilo que mais dói para obrigar a uma reflexão necessária. Tudo o que é emocional, dói. Embora em alguns momentos as emoções possam converter-se em motivo de alegria e felicidade, são muito mais numerosos e fortes os momentos de desgosto, medo, desespero, indecisão, impotência…

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Poderíamos enumerar uma lista interminável de problemas, mas basta alguns que quase todos conhecemos. Temos os problemas naturais de sobrevivência, a luta para ganhar a vida de uma forma mais ou menos digna, e mais ou menos de acordo com as nossas vocações e disposições, com os nossos estudos ou preparação. Temos os problemas de estudo e formação, já que nem sempre há possibilidades para lhes aceder; ou se sonha estudar para prosperar economicamente para descobrir, anos mais tarde, que não era assim tão fácil como parecia ao princípio. Temos os problemas familiares, já que nem sempre há um claro entendimento entre os que compõem este núcleo. Temos os problemas existenciais, sempre que algumas pessoas se preocupam com o destino, pelo ser interior, pelo universo em que estamos e por mil porquês acerca da nossa posição individual e colectiva no mundo. E, sobretudo, temos os problemas sentimentais quando não há uma boa relação com outras pessoas e quando não perfilam amores e amizades satisfatórios.

Sei que poderíamos estender os exemplos, mas através de qualquer um deles é possível chegar a um estado paralisante quando surgem os problemas.

Em geral, a atitude perante o prolema é procurar soluções fáceis e rápidas que não impliquem a própria vontade. Recorre-se a pessoas conhecidas, pede-se ajuda a uns e a outros… O problema bloqueou aqueles que procuram a solução fora deles e, sobretudo, aqueles que partem do princípio da injustiça da vida que os submete a tais infortúnios. A emoção negativa ganha terreno, as ideias tornam-se cada vez mais confusas, o organismo começa a revelar angústia e o problema assume então a dimensão de uma montanha intransponível. Resta apenas a dor, o desespero, a irritação, a agressividade contra os outros pela culpa que possam ter… Enfim, um poço imenso que se torna cada vez mais e mais profundo do qual é cada vez mais difícil sair.

Alguém que está em baixo, afundada psicologicamente, não pode ver a luz. A dor vai remoendo minuto a minuto e não há nada mais do que essa paixão obsessiva.

As soluções devem vir portanto, logicamente, de cima. É necessário transcender o problema e a pena para encontrar uma resposta.

Se sabemos que a raiz da dificuldade está no plano afectivo, há que trabalhar com a energia mental para superar a atmosfera emocional negativa. Pode parecer difícil ao início, mas tudo é difícil até que é testado pela primeira vez. Há que fazer o esforço de subir um degrau, de passar por cima das nuvens e chegar à claridade do próprio entendimento. Nem todos somos sábios, é verdade, mas todos nós temos um cúmulo de experiências mais ou menos importantes para encontrar respostas viáveis para o mal que nos aflige. Há que ser capaz de alcançar o nosso recanto de soluções. Algumas serão inservíveis, outras discretamente válidas, e não faltarão as francamente boas. Testando e testando, com boa vontade e sem a ansiedade da distorção da emotividade, adquirem-se novas experiências que serão úteis para ocasiões futuras.

Tu não és somente um amontoado de emoções ou paixões; também tens inteligência para te observares a ti mesmo “a partir de fora” e traçar o teu próprio caminho.

 

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