Como a mente constrói e destrói a realidade

COMENTÁRIOS AOS YOGA SUTRAS 12, 13 e 14 de PATANJALI

12 – Os depósitos karmicos têm as suas próprias raízes nas manchas e são experimentados numa vida visível e numa vida invisível (isto quer dizer nesta e numa outra vida). 13 – Existindo esta raiz, surge a sua maturação, ou seja, o nascimento, a duração da vida e os seus frutos. 14 – Estes frutificam em dor e alegria segundo o mérito ou o desmérito que são as suas causas.

Como se afirma no livro A Voz do Silêncio de H.P. Blavatsky, “A mente é o grande destruidora do real”.

A mente é um raio de luz que quando se direcciona para o mundo manifestado é como um foco, que quando se fixa em algo ilumina esse algo, tornando visível e real. Este passa a existir porque a mente lhe dá vida, colocando nele a sua atenção, identifica-se com este algo alimentando e tornando-o sensível através da activação dos sentidos. Quando estamos em repouso, o corpo sonolento, a mente em descanso, não temos a consciência de existir, pois só existimos quando a consciência é activada pela mente e vai-se apropriando da faculdade de experimentar contacto com as coisas.

A mente é luz pura, limpa de ataduras, é como as águas de um rio que desconhece as suas margens. Quando as águas transbordam e se misturam com a terra, as águas tornam-se lodo e opacas, assim a mente se transforma em eu pessoal, a mente obstruída pela contacto com o mundo material. Esses contactos da consciência tornam-se depósitos de experiências karmicas que se vão acumulando na memória da mente que como num desenrolar de uma película cria uma sensação de continuidade através do movimento de sucessivas imagens, criando assim o filme das nossas vidas.

Nascemos devido à activação destas criações onde o actor principal é o eu (mente egoísta). Este agita-se num mar astral criando turbulências que atraem ao seu redor formas elementares de vida ou átomos, esses organismos são unidos em conexão com a pressão recebida e irão produzir corpos ilusórios que se extinguem quando a mente tiver reabsorvido toda a energia que aí foi depositada.

“A mente é a grande destruidora do Real.” – A Voz do Silêncio

Como a seda que vai construindo o tecido quando se cruzam os fios e que ao puxar uma ponta volta a ser unicamente um fio, o eu vai construindo formas de vida que pouco a pouco vão sendo desenleados, libertando a mente da ligação com o mundo fenomenal.

Esta vida é o resultado de vidas anteriores e o futuro é como um romance que está a ser escrito todos os dias e sem fim marcado, o enredo vai crescendo à medida que intervêm mais personagens que por afinidade com a história vão dando volume e densidade em cada página deste livro. O autor assume vários personagens, todos ligados entre si como as pérolas de um colar e onde a mente é o fio condutor.

Deste novelo de muitas camadas, nascem os filhos que são os frutos dos nossos desejos, raiz das sementes das nossas futuras vidas. A dor nasce da desarmonia entre a direcção do grande alento evolutivo e a resistência dos fenómenos que nós criamos através do desejo e que activa a lei de causa a efeito ou o karma.

Sofremos porque escolhemos desviar-nos do sentido da vida, buscando a dissolução da separatividade. Quando escolhemos determinado caminho, criamos um atalho que nos afasta da senda de Deus que é o regresso ao Uno sem segundo. Dissolução e construção são as forças que movem o Universo, do qual também contribuímos em expandir.

A Unidade é a presença do eterno em nós, o ponto de partida e o ponto de chegada da alma que regressa a casa. O mal e o sofrimento são a consequência da resistências do eu em colocar a sua luz sobre aquilo que permanece, o sofrimento nasce do contacto com o impermanente, o mérito e o desmérito são resultado das nossas acções pois a alegria segue o acerto e a dor a falta.

A alma a libertar-se do corpo / pixabay
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